Questão de ética

10 de abril de 2008

etica2.bmpEstá em quase todos os jornais a crise da companhia aérea American Airlines. Nos últimos dias, a empresa teve que cancelar centenas de vôos por motivos técnicos. A FAA (Federal Airlines Agency), equivalente à nossa Anac, mandou fazer vistoria técnica em todos os aviões MD-80, alegando problemas com o trem de pouso. A AA tem mais de 300 desses aparelhos. Como não sou especialista no assunto, não vou comentar o problema técnico em si. O que me chamou atenção foi a reação da empresa. Nesta 3a. feira, o presidente Gerard Arpey reuniu a imprensa para assumir total responsabilidade sobre a crise: “Nós obviamente falhamos em atender a todas as ordens e padrões que a FAA exige”, disse Arpey. “Eu assumo total responsabilidade pelo que está acontecendo.”

auto_pelicano_etica.jpgpanoramablogmario.com.br

Eis aí um belo case de marketing e comunicação. Ou não? Quantos executivos brasileiros você conhece que seriam capazes de tomar a mesma atitude diante de uma crise como essa? Vimos recentemente os casos da Gol e da TAM, só para ficar em dois exemplos similares. Mas não são apenas as companhias aéreas. Assumir responsabilidades, ainda mais de público, é algo que nem passa pela cabeça da maioria dos executivos e empresários tupiniquins. A regra geral, infelizmente, é o velho “tirar da reta”, ou colocar a culpa no governo, ou então simplesmente sumir de cena e não atender a imprensa. A propósito, acabo de ver pesquisa do Ibope entre empresários de vários setores sobre o que esperam dos executivos de marketing. Acreditem: as três respostas mais comuns foram “ser comprometido com os resultados” (49% dos entrevistados); “conhecer o cliente” (48%); e “ter visão de negócios” (42%). Entre 20 respostas diferentes, “ser ético” ficou em 12° lugar; e “ser transparente” em 19°!!!

Ou seja, as empresas, ao contratarem seus executivos, não estão lá muito preocupadas com questões banais, como ética, transparência, responsabilidade social (a não ser para fins de propaganda). Isso é coisa para nós, ingênuos. Um executivo como o sr. Arpey, da American Airlines, provavelmente não arrumaria emprego no Brasil. É preciso admitir que essa é uma visão comum no País, não se restringe ao setor de marketing. Infelizmente, é a realidade que vivemos. Quem tem filhos, como eu, vai ter trabalho para convencê-los a agir diferente. 

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