As duas empresas desmentiram, mas… como sabemos, boatos se espalham sempre mais rápido do que notícias verdadeiras. E o mercado internacional de eletrônicos passou os últimos dias discutindo a notícia – publicada por um pequeno site coreano – de que Hisense e LG estariam discutindo algo mais que uma simples cooperação técnica.

Segundo a notícia, dois executivos da LG teriam viajado a Pequim para uma reunião com diretores da Hisense, quando teria sido discutida uma suposta compra da primeira pela segunda. Após a repercussão, porém, o site retirou do ar a informação, dando a entender que não tinha como confirmá-la. Para todos os efeitos, portanto, trata-se de mais um boato.

 

Crescimento dos painéis OLED

Importante aqui não é a notícia falsa, mas o contexto em que foi publicada e como o mercado reagiu. Reuniões desse tipo são comuns entre executivos de grandes empresas, para tratar de temas como parcerias, acordos para compra/venda de componentes etc. Sendo a China o maior fornecedor do mundo, suas empresas recebem habitualmente enviados de outros países.

Mas daí a uma negociação como a que foi aventada, vai uma enorme distância. Comentou-se muito sobre o recente acordo entre TCL e Sony, que publicamos aqui, pelo qual a chinesa assume 51% do controle da divisão de TVs da japonesa. Outros lembraram que, anos atrás, a LG decidiu retirar-se do segmento de smartphones diante da avassaladora concorrência chinesa. Mas são situações completamente diferentes.

Embora tenha perdido mercado com a ascensão das marcas chinesas nos últimos anos, a LG continua sendo uma potência tecnológica (vejam o gráfico). Em displays, tem presença ativa no segmento corporativo (telas para grandes espaços) e, no mercado residencial, é líder absoluta no segmento OLED, com cerca de 50% de market-share. Sua divisão LG Display continua lucrativa e inovando seguidamente em tecnologia de ponta.

É verdade que os volumes de vendas de OLED são bem mais baixos que os de LCD: a proporção hoje é de 5% para 95%. Mas, enquanto LCD (QLED, MiniLED e LED convencional) resulta em margens de lucro apertadíssimas para os fabricantes, o segmento OLED, com valores unitários bem mais altos, traz bons lucros para a LG, que inclusive fornece painéis para as concorrentes Samsung, Sony e Panasonic, entre outras.

Segundo o site OLED Info, em 2025 foram vendidas 3,22 milhões de TVs OLED LG e 2 milhões de OLED Samsung. E o site Flat Panels informa que até na China esse tipo de painel vem crescendo, tendo chegado no ano passado a 78% das vendas no segmento de telas acima de US$ 2.500 – um aumento de 65% em relação a 2024.

Até agora, as fabricantes chinesas vêm desprezando a tecnologia OLED, apostando tudo nos aperfeiçoamentos dos painéis MiniLED (vejam aqui). Para atingirem o nível de performance das OLED LG e Samsung, os chineses têm um longo (e árduo) caminho pela frente. Outra forma de olhar o panorama é que, somadas, LG e Hisense se tornariam a maior fabricante do mundo. Será que isso pode mudar?

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

2 thoughts on “Boato da hora: Hisense compra LG. Será mesmo?

  1. Olá Orlando, espero que esteja bem.
    Nota do Editor: O que esse ruído nos ensina sobre o futuro?
    Para além dos desmentidos oficiais e da dança dos números de market share, o boato sobre Hisense e LG acende um alerta sobre a velocidade com que o tabuleiro da tecnologia global está mudando. Se no passado a soberania das grandes marcas era inabalável, hoje o mercado vive sob o signo de riscos e oportunidades iminentes.(Gemini)

    O mundo dos negócios, afinal, é o reflexo direto das decisões humanas. Chegamos a um patamar de exigência por parte do consumidor que dita, de forma implacável, a regra de quem escala e de quem cai. O cliente atual não compra apenas uma tela; ele compra uma promessa de valor.(Dinaldo)

    Essa fumaça de bastidores, portanto, serve para nos mostrar quem realmente está fazendo o dever de casa. Em um cenário onde o topo do mercado é disputado palmo a palmo, a liderança sustentável não será conquistada com base em boatos ou jogadas puramente financeiras. O futuro pertence às marcas capazes de entregar o equilíbrio perfeito entre qualidade, preço justo e inovação disruptiva, consolidando o ativo mais valioso de todos: o relacionamento e a confiança do cliente no longo prazo.(Dinaldo)
    Abs

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