Bravatas em alta, confiança em baixa

25 de fevereiro de 2020

Mais uma manifestação do presidente da República contra o Congresso, como já houve outras contra o STF, era tudo que a economia do país não precisava neste momento. Segundo a ABINEE, que representa a indústria eletreletrônica, a confiança do empresariado caiu mais um pouco em fevereiro (1,7 ponto percentual), influenciada pelos números ruins do desemprego e do investimento. Ainda não estão nessa conta os dados sobre o coronavírus e sua influência nos negócios com a Ásia, particularmente a importação de componentes da China, onde inúmeras fábricas interromperam o fornecimento, conforme comentamos aqui.

Algumas pessoas revelam incrível dificuldade para entender que economia depende fundamentalmente de dois fatores: estabilidade e confiança. Tudo que não tem existido no Brasil nos últimos meses. A ambiciosa agenda de reformas revelada no início do governo caminha muito mais lentamente do que deveria, pela falta de um mínimo de articulação do Palácio do Planalto com o Congresso. E as declarações do presidente e de alguns ministros só contribuem para piorar esse clima.

É uma pena. Com cerca de US$ 380 bilhões em reservas cambiais, resultado de um esforço de quase 20 anos, o país já poderia estar decolando para atingir números no mínimo similares aos de seus equivalentes (México, Turquia, África do Sul, Colômbia etc). Em lugar de bravatas, acusações gratuitas e da velha dicotomia esquerda x direita, que não leva a nada, está na hora de cobrar das autoridades mais responsabilidade e equilíbrio. A não ser que desejem exatamente o caos. 

2 Replies to “Bravatas em alta, confiança em baixa”

  1. Paulo disse:

    Ladainha contra o presidente?Articulação com o congresso no brasilzinho é dar $ a malditos corruptos.Faça o favor.

  2. Sergio disse:

    O Presidente Bolsonaro se tornou bode expiatório para todos os setores… O boi de piranha num país onde querer fazer o certo se tornou o errado e a política da corrupção se enraizou de tal forma que já não reconhecemos mais o modo correto de exercê-la.

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