Indústria já conta os prejuízos do vírus

12 de fevereiro de 2020

Dificilmente se poderia imaginar início pior de ano para a indústria eletrônica. A crise do coronavírus obrigou o fechamento de centenas de fábricas na China, cortando o suprimento de componentes para empresas do mundo inteiro (Brasil inclusive). E o cancelamento do Mobile World Congress (MWC), que seria realizado daqui a duas semanas em Barcelona, representa mais prejuízos, não apenas para a GSM Association, organizadora, mas para todo o setor.

Claro, numa hora dessas o prejuízo maior não é financeiro, reside nas centenas de mortes causadas pelo coronavírus, e milhares de pessoas contaminadas ainda sob risco, a maioria delas (por enquanto) dentro da China. “Nossa empatia neste momento está com aqueles afetados na China e no mundo”, diz com total propriedade o comunicado oficial da GSMA, emitido na tarde desta 4a. feira. Mas os efeitos para o segmento tecnológico também podem ser terríveis se a epidemia não for controlada logo.

Mais importante evento de telecom do planeta, o MWC passou a atrair nos últimos anos não apenas operadoras e fabricantes de celular, mas também empresas de internet, redes etc. Amazon e Facebook estavam entre as que já tinham desistido de participar diante do risco para seus funcionários; desde a semana passada, quando a LG anunciou que não iria, a lista foi crescendo: Sony, Cisco, Ericsson, Amazon, Intel, Nvidia… a situação ficou insustentável. Das grandes, apenas Samsung e Huawei defendiam a realização.

Já na noite de ontem, o site Wired divulgava que a direção da GSMA pretendia mesmo cancelar o MWC, mas buscava um acordo com a prefeitura de Barcelona: se esta declarasse “emergência sanitária”, a entidade poderia recorrer ao seguro do evento para não ficar totalmente no prejuízo. De fato, cerca de 100 mil pessoas, vindas de 200 países (inclusive da China), eram aguardadas na bela capital da Catalunha.

Mas as autoridades locais não concordaram – como, aliás, deve ser num sistema capitalista, onde quem empreende assume o risco de seu negócio. Disse a prefeita Ada Colau que a cidade está “perfeitamente preparada” para receber o evento. Organizador e expositores preferiram não arriscar. O prejuízo poderia ser bem maior.

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