Preservando a (falsa) privacidade

15 de abril de 2020

 

Misturar política com tecnologia nunca foi uma boa ideia. Muito menos com medicina, como temos agora diante de nossos próprios olhos todos os dias. Pode-se concordar ou não com governantes e partidos, mas age mal, muito mal, quem tenta politizar assuntos técnicos e científicos. É o tipo do jogo perde-perde.

Uma das polêmicas do momento é o uso das tecnologias de geolocalização, via celular, para monitorar as aglomerações humanas, já que estas são um perigo para a expansão do coronavírus. Vários governadores decidiram pedir ajuda às operadoras de telefonia para rastrear, via localização de celulares, os pontos onde uma quantidade significativa de pessoas se reúne apesar das recomendações de isolamento social. Em São Paulo, por exemplo, foi criado o SIMI-SP (Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo).

O governo federal é contra e até tenta barrar essas medidas na Justiça. Só que essa é uma tecnologia até banal, considerando que a maioria dos motoristas hoje utiliza algum tipo de GPS e, portanto, é monitorada o tempo todo. A geolocalização não permite necessariamente identificar as pessoas, mas sim apontar que em determinada rua ou praça pública há mais gente do que o normal. E indicar que aquele grupo de pessoas está se deslocando. Nada a ver, portanto, com a questão da privacidade. 

Já comentamos aqui algumas vezes sobre essa falsa preocupação, que muitas vezes soa hipócrita. Quem utiliza celular, navega pela internet, faz compras com cartão de crédito, frequenta redes sociais e baixa aplicativos como Uber, iFood, Waze, WhatsApp e Google Maps, entre tantos outros, deve saber que seus passos estão sendo acompanhados 24 horas por dia. Quem gosta de postar fotos e vídeos no Facebook, Twitter ou Instagram revelando que está assistindo a um show, jogo de futebol, jantando em tal restaurante ou curtindo a praia com os amigos não pode estar preocupado, a sério, com privacidade.

E quem tiver dúvidas pode aproveitar a quarentena para assistir a um documentário do Netflix que já comentamos no ano passado (leia aqui): Privacidade Hackeada. Está tudo explicado lá, com riqueza de detalhes.

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