Dilemas da comunicação online

10 de junho de 2020

O quê? Como? Por que? Desculpe. Repita, por favor… São essas as expressões mais usadas atualmente no mundo corporativo. Quantas vezes, nos últimos meses, você teve que interromper uma ligação telefônica, ou por aplicativo, devido a falhas no sinal? Por todo o planeta, e em todos os idiomas, pessoas tentam se comunicar online e encontram dificuldades para entender umas às outras.

Estudo realizado recentemente pela consultoria francesa Ipsos, sob encomenda da Epos, fabricante dinamarquesa de sistemas de áudio para uso corporativo, revelou que 95% dos funcionários – numa amostra de 2.500 entrevistados – se queixa de problemas de áudio na comunicação com colegas, clientes e fornecedores, o que acaba prejudicando a concentração e a produtividade.

O estudo é tão detalhado que chegou até a calcular quanto tempo cada pessoa perde devido a esses problemas: 30 minutos por semana. Parece pouco, mas na soma de um ano inteiro isso equivale a três dias de trabalho perdidos por um profissional full-time. Multiplique isso pelo número de trabalhadores numa empresa e é possível estimar o prejuízo total, dependendo da média salarial. Acrescente os níveis de stress causado pelas interrupções e, para completar, o fato de que hoje mais da metade da força de trabalho corporativa mundial está sendo forçada à comunicação remota.

Com a pandemia, vêm aumentando as vendas de computadores, fones de ouvido e caixas acústicas multimídia, assim como o consumo de aplicativos de colaboração, como Zoom, Google Meet, Microsoft Teams e Skype for Business. A mesma pesquisa revelou que 93% dos entrevistados planejam fazer exatamente isso nos próximos meses: investir em sistemas de comunicação melhores, especialmente em áudio. Mas pode não ser suficiente.

Nada menos que 75% dos 2.500 que responderam a pesquisa trabalham em empresas com mais de 200 funcionários. E reclamam muito também do ruído ambiente e das interrupções causadas por colegas. Mas, o que dizer de quem trabalha sozinho em casa? Como criar um ambiente “profissional” em meio aos familiares, cachorro, vizinhos? E que efeito tem isso sobre quem está do outro lado da linha? Seu cliente continuará comprando se o cachorro insistir em ficar latindo bem na hora da reunião? Daqueles 2.500, 23% disseram que provavelmente não.

Pois é, são dilemas do mundo corporativo diante da pandemia. Como esta não tem prazo para acabar, convém rever nossos conceitos sobre privacidade, comunicabilidade, eficiência e profissionalismo. Afinal, os negócios não podem parar.

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