E-commerce voa, varejo físico dança

10 de agosto de 2020

No mesmo dia em que o Mercado Livre, mais tradicional marca do e-commerce brasileiro, divulgou números fantásticos de vendas (vejam aqui), a Máquina de Vendas, rede de lojas físicas que agitou o varejo no início da década, entrou com mais um pedido de recuperação extrajudicial. Não há conexão direta entre as duas notícias, mas as implicações são evidentes para quem conhece o mercado.

Em seu processo de decadência, a Máquina – fundada em Minas Gerais em 1989 e que em 2011 chegou a ter mais de 1.100 lojas e ser a quinta maior rede varejista do país – deixou um rastro de dívidas que oficialmente somam R$ 4 bilhões. Dívidas essas compartilhadas por três grandes bancos (Bradesco, Itaú e Santander) e um grande fornecedor (a fabricante americana de eletrodomésticos Whirlpool, dona da Brastemp).

Dona das redes Ricardo Eletro, Insinuante, Salfer, Citi Lar e Eletro Shopping, a Máquina decidiu fechar todas as suas lojas físicas e, de uma tacada só, demitir 3.500 funcionários. O grupo, que já havia pedido recuperação em 2019, teve este ano dois baques que praticamente colocam por terra seus planos: além da COVID-19, que esvaziou as lojas, seu fundador Ricardo Nunes (foto acima) foi preso em julho, acusado de sonegar nada menos do que R$ 387 milhões em ICMS no período de cinco anos.

É preciso muita desfaçatez para sonegar tanto dinheiro assim, principalmente quando se é dono de uma das maiores empresas do país. Nem sei se cabe afirmar que a Máquina foi vítima do e-commerce, considerando que concorrentes como Magazine Luíza continuam crescendo tanto na internet quanto no comércio físico (neste caso, claro, antes da pandemia). O que só vem provar que, no mundo de hoje, quem vence não é necessariamente o mais forte, mas aquele que consegue se adaptar melhor às mudanças.

Em tempo: também na sexta-feira passada, saiu a notícia de que a Amazon nos EUA está comprando instalações físicas de antigas megastores como Sears e JC Penney para usar como centros de distribuição. São lojas que fecharam durante a pandemia e os dois grupos não tiveram caixa para reabri-las. Esse é o triste fim de quem não soube acompanhar a virada dos negócios online. 

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