
O primeiro tipo de TV exibido na CES 2026 que gostaria de comentar aqui é o Micro RGB, da Samsung. De cara, é bom registrar que essa identificação já está causando confusão, algo que infelizmente é habitual na indústria eletrônica. Logo no início da CES, publicamos este artigo para desfazer as dúvidas, mas receio que ainda serão necessários muitos textos para atingir esse objetivo.
Basicamente, trata-se de substituir os leds tradicionais, que reproduzem apenas luz branca, por leds RGB, que têm estrutura desenhada para reproduzir as três cores primárias: vermelho, verde e azul. Vários fabricantes estão apostando nessa inovação, só que as nomenclaturas escolhidas acabam confundindo mais do que esclarecendo.
Vejam na ilustração a diferença de tamanho. A solução da Samsung foi adotar leds ainda menores que os minileds usados nas linhas Neo QLED; estes têm tamanho 20X menor que os leds comuns, enquanto nas Micro RGB chegam a ser 100X menores. Os leitores de boa memória devem lembrar que esse é o mesmo tamanho dos leds utilizados nos painéis MicroLED, que a Samsung lançou no Brasil em 2021 (aqui, os detalhes).
As cores ainda dependem de um LCD
Mas MicroLED e Micro RGB não são a mesma coisa, longe disso, embora os fabricantes os chamem de “microscópicos”. Os primeiros são emissivos, como os OLED, emitindo as cores sem necessidade de luz externa. Já os lançados na CES fazem parte de um backlight, com luz incidindo de forma muito mais intensa sobre um painel de cores chamado LCD.
A promessa da Samsung, que em 2025 começou a vender no Brasil seu modelo de 115″ com essa estrutura (vejam aqui), é oferecer ganhos não só no brilho das imagens, mas também em contraste e reprodução de cores. Cada led RGB emite as três cores de luz de modo independente e, segundo a empresa, um avançado processador com IA (Micro RGB AI Engine Pro) analisa cada uma delas para fornecer ao painel LCD a quantidade de luz ideal para cada quadro de imagem.

As TVs Micro RGB virão ainda com um chipset específico para conteúdos HDR e outro para processar as cores, num sistema de dimerização similar ao utilizado para dosar a intensidade da luz. Estão previstos tamanhos de 55″ a 100″, além do já citado 115″. E haverá um modelo maior ainda (R95H), com incríveis 130″, a maior TV exibida na CES (foto que abre este post).
Uma curiosidade: nos últimos anos, a Samsung vem nomeando suas linhas com as letras do alfabeto: A, B, C etc. Em 2025, chegamos à linha F, tendo o modelo QN90F, de 115″, como carro-chefe. Para 2026, será utilizada a letra H, “pulando” assim o G. Será apenas para não ser confundida com o “G” da concorrente?
