
Estivemos semana passada no evento LEDForum, em São Paulo, dedicado ao segmento de projetos de iluminação inteligente (Lighting Design). Embora não seja tão divulgado (o evento é fechado e só entram profissionais da área, previamente convidados), esse é um setor muito dinâmico no país hoje.
Eram cerca de 50 expositores, a maioria fabricantes de luminárias que se voltaram para o mercado de luxo. Havia também fabricantes de painéis como Roehn (pertencente ao grupo Audiogene, que distribui no Brasil as soluções de controle da Savant) e Lutron (tradicional fornecedora de sistemas de iluminação inteligente).
O público visitante do LEDForum é basicamente constituído de arquitetos e designers de interiores que, hoje, têm no Lighting Design uma valiosa ferramenta para seus projetos. Famílias de alto padrão vêm adotando cada vez mais essas soluções, que são uma ótima forma de diferenciar os projetos, como mostramos aqui.
O QUE VALE É A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO
Mas há um detalhe que, me parece, ainda escapa a muitos integradores quando tratam desse assunto. Cada vez mais fica claro que as tecnologias – de iluminação, automação, áudio, vídeo etc. – só fazem sentido para o usuário final quando melhoram sua experiência dentro de casa. É ele, afinal, quem paga a conta, e se aquele investimento não lhe trouxer boas sensações, sua conclusão inevitável será: não valeu a pena.
Já vimos muitas situações assim. Existem pessoas que pagam mais caro para ir a um restaurante, por exemplo, porque ali se sentem bem, não apenas com a comida, mas o ambiente, o atendimento. O mesmo vale para quase tudo na vida: roupas, sapatos, carros, relógios… Empresas que se dão bem no segmento de luxo – algumas estão na ativa há décadas – são aquelas que entendem a importância da palavra mágica: a experiência do cliente.
Recentemente, vimos que as badaladas marcas Focal e Naim foram adquiridas pela Barco, gigante no segmento de projetores de alta performance. A francesa Focal, com suas premiadas caixas acústicas, e a inglesa Naim (players, amplificadores e processadores de áudio) são sinônimos de refinamento. E por que uma empresa como a Barco teria interesse em comprá-las?
A resposta é aquela: a experiência! A fabricante belga produz alguns dos projetores mais caros do mundo, tanto para uso doméstico quanto em cinemas e grandes espaços corporativos. O nome vem de Belgian American Radio Corporation, fundada em 1934 e hoje com faturamento anual da ordem de 1 bilhão de euros. Na verdade, começou produzindo aparelhos de rádio e só em 1979 lançou seu primeiro projetor.

AUTOMAÇÃO, PALAVRA QUE ASSUSTA
Evidentemente, só pessoas de alto poder aquisitivo (aliás, bem alto…) podem comprar os produtos da Barco – raríssimo encontrar projetores da marca por menos de R$ 100.000. E o que falta à empresa para oferecer a seus clientes uma experiência completa? Claro, áudio. E áudio do mesmo padrão, como o que oferecem Focal e Naim.
Voltando à iluminação inteligente, é interessante perceber também como a palavra “automação” aos poucos está caindo em desuso. Os lighting designers preferem abordar seus clientes com termos como “conforto”, “praticidade”, “segurança” e outros, que têm mais a ver com o conceito de experiência que comentamos acima. Percebe-se no ar num certo cansaço com a overdose de expressões técnicas que já nos rondam a todos no dia a dia – e que costumam afugentar alguns consumidores.
Pensando bem, é disso que se trata: às vezes, esquecemos que a função da tecnologia é resolver, não criar, problemas.
