Nossa segunda análise sobre os novos painéis de TV que estão chegando, e que estrearam na CES de Las Vegas, é sobre a solução apresentada pela TCL. Chama-se SQD-Mini LED, sendo a sigla SQD referente a “Super Quantum Dot”. Ao que parece, é uma espécie de “QLED turbinado”, que alcança níveis absurdos de luminosidade e supera os parâmetros tradicionais de medição de cor em vídeo.

Se a Samsung optou por leds menores (como vimos no post anterior), a TCL decidiu aprimorar a forma como seus minileds atuam. São leds azuis que passam por uma película de “super” pontos quânticos, onde parte da luz é convertida em vermelho e verde; dessa mistura, nasce a luz branca que, segundo a empresa, cria todas as demais tonalidades.

A principal diferença para os outros painéis está, portanto, nesses novos pontos quânticos. A nova película (QD Layer, no desenho) é mais densa em elementos luminosos. Além disso, diz a fabricante chinesa, os backlights de leds RGB são eficientes para gerar cores puras e vistosas, mas falham no vazamento de tons (color bleeding), quando nuances de uma cor “invadem” outras. Falaremos num próximo post sobre esses paineis, defendidos por Samsung, LG e Hisense.

 

Especificações que “ardem” nos olhos

A TCL garante que SQD-Mini LED é o único painel que atinge 100% dos requisitos do padrão de referência BT.2020, mas isso é algo que ainda precisará ser testado na prática. A TV XL11, de 98″, que a TCL mostrou na CES, tem especificação de 20.736 zonas de dimerização do backlight, marcando picos de brilho da ordem de 10.000 nits!

Como já explicamos aqui, esses números podem ser enganosos. Teoricamente, quanto maior a quantidade de zonas (blocos de minileds) maior a capacidade do processador gerenciar a quantidade de luz em cada área da tela. Mas não há como ter certeza desse número de zonas (seria preciso desmontar o painel…).

Além disso, uma luz equivalente a 10.000 nits é inviável na prática, pois queimaria os olhos do espectador e geraria calor suficiente para derreter o aparelho! Na verdade, o que tecnicamente se conhece por peak brightness só é atingido em minúsculos pontos da tela, e por frações de segundo. É algo que pode ser medido com instrumentos, mas que o olho humano raramente tem condições de perceber.

Apesar dessas ressalvas, será interessante ver em funcionamento a TV XL11, que a TCL inclusive já colocou em pré-venda para alguns países, em três tamanhos: 75″, 85″ e 98″. É mais um passo na corrida dos fabricantes de TVs LCD para se aproximar das cores de uma OLED.

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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