Exatamente um ano trás, comentávamos sobre denúncia de um consumidor americano contra a TCL (vejam aqui). Lá, o caso rendeu processo que ainda não teve definição na Justiça. Mas, esta semana, um tribunal de Munique (Alemanha) decidiu contra a fabricante chinesa.
E o que os dois casos têm em comum? Ambos se referem ao uso indevido da tecnologia QLED. Se, nos EUA, a denúncia partiu de uma pessoa física, na Alemanha foi um concorrente (a Samsung) quem levou o caso à Justiça. Como se sabe, a coreana foi a primeira a lançar TVs com painel de pontos quânticos, ainda em 2017. Na época, obteve apoio das chinesas TCL e Hisense para formar a QD Alliance, consórcio que visava promover essa tecnologia.
A aliança desapareceu em 2020, quando a TCL decidiu lançar uma linha de TVs com a marca QLED, só que com outro tipo de painel. Não deu outra: a mistura de marcas causou confusão no mercado, chegando ao ápice em 2024, quando começaram a aparecer em fóruns da internet comentários nada simpáticos às marcas chinesas.
“Propaganda enganosa”?
Em abril do ano passado, a Samsung decidiu então processar a TCL na Alemanha, com base numa “lei de concorrência desleal”. Algumas TVs QLED da chinesa, alegava a coreana, não utilizam os verdadeiros painéis de pontos quânticos, configurando “propaganda enganosa”. Agora, a Justiça alemã deu ganho de causa à Samsung (ainda cabe recurso).
Segundo o site coreano The Elec, que cobre os bastidores da indústria eletrônica na Ásia, a corte alemã concluiu que o painel da TCL utiliza apenas uma “pequena quantidade” de pontos quânticos, insuficiente para melhorar a reprodução de cores como os painéis verdadeiros.
A decisão se baseou em normas da IEC (International Electrotechnical Commission), que define QLED como “aplicação de uma película de pontos quânticos entre o painel LCD e o backlight”. A TCL refutou a acusação, mas por enquanto está proibida de continuar anunciando essas TVs como QLED.
