Exatamente um ano atrás, estávamos aqui comentando sobre a Pioneer, que chegou a ser líder mundial em mídias físicas, e vendeu sua divisão de discos digitais para uma fabricante chinesa (este o link). Na época, a Sony ainda se mantinha nesse nicho de mercado – até fevereiro último, quando fechou sua fábrica de players e gravadores Blu-ray.

Agora, somente uma gigante japonesa – a Panasonic – permanece no segmento, com um dos melhores gravadores já produzidos, o DMR-ZR1, da linha DIGA, disponível em sites internacionais pelo equivalente a US$ 2.400. Em março, a empresa soltou um pedido de desculpas por não estar conseguindo atender a demanda e anunciou que pretende expandir a produção.

Interessante, não? Quando todo mundo parece aderir ao streaming e à nuvem, eis que uma tecnologia velha de 20 anos (lembrem aqui) se mostra imune à obsolescência. Faz sentido, como veremos adiante. Apesar das melhorias no streaming, ainda não surgiu mídia melhor para exibir as qualidades de um filme (em som e imagem) do que um player Blu-ray 4K.

O problema, como já comentamos aqui, é que a indústria de software, Hollywood à frente, não acha bom negócio lidar com a duplicação de discos com conteúdos em 4K. O resultado é que as vendas de aparelhos Blu-ray despencaram: em 2025, representaram menos de 10% do que se tinha por volta de 2010.

 

Qualidade muito superior à do streaming

Mas há dois fenômenos interessantes: o revival do Blu-ray, num processo algo semelhante ao do vinil anos atrás; e a sobrevivência do público que usa gravadores Blu-ray, seja para backup ou (em alguns países) gravar conteúdos da TV e da internet.

No primeiro caso, nos EUA e alguns países europeus mantém-se a faixa de “colecionadores”, que têm dinheiro para investir em discos Blu-ray 4K com seus filmes e shows preferidos. No ano passado, esse segmento cresceu cerca de 12% na América do Norte. Os melhores lançamentos saem por cerca de 35 dólares, mas após alguns meses o preço cai para 15 ou até 10…

Vantagens do ponto de vista técnico: vídeo sem compressão, ao contrário do que se vê no streaming; preservação de títulos que desaparecem do streaming ao bel-prazer das plataformas (vejam o site da celebrada Criterion, distribuidora especializada nesse tipo de produto); e o fato dos consumidores quererem tirar o máximo de suas TVs premium, especialmente OLED, e de seus projetores high-end.

Claro, é um mercado de nicho, mas o que mais se poderia esperar de produtos tão caros? Além do que, o streaming é imbatível em termos de praticidade e conveniência. No Brasil, são pouquíssimos os usuários apegados a esses hábitos. Em sites como Amazon, eBay e Mercado Livre, é possível encontrar players Blu-ray 4K Panasonic (e até Sony) na faixa de R$ 2.500. O “sonho de consumo” é o Panasonic DP-UB9000, saindo em torno de R$ 15.000!

Para quem acha que é exagero, mostraremos num próximo post as diferenças técnicas, que não são poucas, entre um filme gravado em Blu-ray 4K e exibido no streaming. Mesmo usando o Apple TV, que é o melhor receptor de streaming, não dá nem pra saída.

 

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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