Vivendo num país de rico

15 de abril de 2012

Não, o título não se refere à Suíça, onde casualmente estou neste momento, à espera de uma conexão de volta ao Brasil. Nem à Croácia, onde estive nos últimos três dias. Falo mesmo do nosso Brasil, a propósito desta notícia divulgada no site G1: Brasileiros estão indo casar no Exterior. Isso mesmo: está saindo mais barato – além de dar status, coisa que brasileiro adora… – juntar os trapos na Itália, por exemplo, do que em São Paulo ou Rio de Janeiro.

Custo de um casamento num castelo medieval da Toscana, com 100 convidados, incluindo comida, bebida, decoração, quarteto de cordas, DJ e até o padre: R$ 98 mil (claro, fora passagem e hospedagem). Custo da mesma cerimônia no Brasil: pelo menos R$ 150 mil, segundo especialistas ouvidos pelo site. Considerando que passagem e hospedagem por uma semana, no caso, saem por algo em torno de R$ 10 mil para o casal, a economia fica na casa dos R$ 40 mil.

Os absurdos desse país rico chamado Brasil vão se acumulando. Tempos atrás, o Globo Repórter mostrou a epopeia de uma família de Campinas (casal e dois filhos adolescentes) indo passar férias nos EUA. Além de conhecer Nova York, Miami e Orlando, os quatro trouxeram seis malas cheias de compras, com dezenas de encomendas para familiares e amigos. Na ponta do lápis, o custo da viagem saiu por cerca de um terço do que custaria no Brasil!!!

Tive hoje uma aula prática sobre o assunto, n0 free-shop do aeroporto de Dubrovnik, Croácia. Garrafa de vinho chileno Tarrapacá: 2 euros. A mesmíssima garrafa no free-shop de Cumbica sai por 15 dólares. E o Chile, ao que consta, está a duas ou três horas de vôo dali, enquanto os croatas têm que viajar um dia inteiro se quiserem ir até Santiago. Se o oposto valesse, uma garrafa de vinho francês em Dubrovnik (hora e meia de vôo até Paris) custaria bem mais do que os 16 euros que constatei no mesmo free-shop; o mesmo vinho francês que no Brasil não sai por menos de R$ 70.

A capital paulista, aliás, está virando caso de polícia. Vejam este vídeo gravado pela equipe da Folha de São Paulo: perderam-se completamente as referências do que é caro ou barato. Pior é que as pessoas continuam pagando…

Como é bom ser rico!

 

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