Para onde caminha o varejo?

25 de abril de 2012

Há algumas semanas, comentamos aqui a situação da Best Buy, maior rede de lojas de eletrônicos do mundo, que corre até risco de falência. O assunto é polêmico, mas talvez valha a pena pensar com mais carinho nos motivos que estão levando o comércio tradicional a tantas dificuldades. Provavelmente, no Brasil ainda não haja grandes ameaças porque o mercado consumidor interno está em expansão, com a afluência de famílias que antes estavam fora dessa massa. Mas o fenômeno é mundial.

Esta semana, o site americano Home Media dissecou o problema atual da rede Walmart. Isso mesmo: o maior varejista do mundo. Antes, alguns números interessantes. A rede foi fundada em 1962, numa pequena cidade do estado de Arkansas, por Sam Walton, visionário a quem se credita a invenção do próprio conceito de supermercado. Segundo a Wikipedia, é a maior empresa do mundo em faturamento e a que emprega mais gente (2 milhões de funcionários), embora essa estatística possa estar defasada com o hipercrescimento chinês – lembremos que uma única fábrica da Foxconn emprega 240 mil pessoas.

Muito bem. De olho na queda de movimento em boa parte de suas 8.500 lojas, espalhadas por 15 países, a direção da Walmart decidiu rever seus conceitos. As lojas vão ficar menores, mais automatizadas, e o maior investimento será direcionado para a operação online. Um dos objetivos é roubar clientes da Netflix, através do serviço Vudu de venda e locação de filmes online. Na semana passada, o Vudu passou a oferecer um inédito serviço em que o cliente pode levar seus discos à loja e pedir para copiá-los em formato digital; as cópias ficam armazenadas no servidor da empresa e as pessoas podem acessá-las quando quiserem, pelo vudu.com. A pegadinha é que esses usuários passarão a ter mais contato com o mundo virtual, onde encontrarão uma enxurrada de promoções e descontos no velho estilo Sam Walton.

Vai funcionar? Quem pode dizer? O fato é que o comércio, de qualquer tipo, tem que se adaptar à realidade da internet e ainda não descobriu como. Se há um consolo para os lojistas, talvez seja este: eles não estão sozinhos. Na mesma situação estão diversos outros segmentos de mercado.

Deixe uma resposta