Consultor financeiro aposta contra Netflix

4 de fevereiro de 2021

 

Você gosta de investir? Já pensou faturar 2.000% com suas ações? Pois alguns investidores americanos vêm lamentando terem perdido (ou deixado de ganhar) 2.000%. São os que seguiram os conselhos do consultor Michael Pachter, que em 2011 sugeriu – por escrito – que a Netflix era uma empresa sem futuro. Não foi o primeiro nem será o último a errar feio nesse mercado de previsões econômicas. E, apesar de tudo, Pachter continua vendendo seus relatórios a peso de ouro.

Reportagem da agência Bloomberg (aqui, o original) revelou recentemente a história de Pachter, que em 30 de novembro de 2011 emitiu relatório aos clientes da consultoria onde trabalhava, dizendo explicitamente que a Netflix era uma “empresa falida”. Naquele dia, as ações eram cotadas a 6 dólares e Pachter recomendava que todos vendessem as suas. Tinha motivos, digamos, racionais. A empresa fundada em 1997 na Califórnia como um serviço de entrega de DVDs em domicílio tentava lançar seu braço digital (um tal de streaming), mas para isso teve que aumentar seus preços em 60%. Claro, perdeu milhares de assinantes e o negócio começou a fazer água.

Pachter era um dos milhões de americanos que não sabia o que era streaming e… bem, a história, todos sabemos. Na semana em que a reportagem foi publicada, a penúltima de janeiro, aquelas mesmas ações de $6 haviam alcançado a incrível taxa de $565. A Netflix ultrapassara a casa dos 200 milhões de assinantes, e seu valor de mercado chegara a US$ 250 bilhões!

Em entrevista ao site, o consultor admite seus erros. “Jamais imaginei que eles chegariam a 200 milhões de assinantes. Para mim, 850 mil já estava bom demais”. E ele acusa frontalmente as outras empresas de mídia, especialmente as gigantes (CBS, NBCUniversal, Viacom), de “estúpidas”, por terem deixado que a novata crescesse tanto. Acha que elas jamais poderiam ter liberado seus conteúdos e, depois, criado seus próprios serviços de streaming, ajudando a matar o modelo de TV paga.

Dez anos atrás, Pachter acreditava que as grandes redes de cable iriam sufocar a Netflix tirando-lhe seus títulos mais populares. Mas, quando isso aconteceu, a empresa de Reed Hastings (foto acima) já produzia seus próprios hits. Na sequência, ele continuou instruindo seus clientes a não comprarem ações da empresa pois essa não teria fôlego para sustentar seu modelo, pois produzir sucessos em cadeia, ano após ano, exige bilhões em investimento contínuo. Errou de novo.

O ano da pandemia acabou sendo também o ano em que a Netflix se provou um modelo auto-sustentável, conquistando milhões de novos usuários que agora passam mais tempo em casa. Mesmo assim, Pachter ainda diz aos clientes que não pagaria US$ 565 por uma ação da empresa. “Eles não têm como crescer mais”, afirma, desdenhando as estimativas que indicam triplicar o número de assinantes nos próximos anos. “Só existem 2 bilhões de residências no mundo inteiro. Não tem tanta gente assim para assinar a Netflix”.

Respostas, talvez, por volta de 2031.

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