Um chip pelo amor de Deus

1 de março de 2021

“Se você comprou uma TV nova, acabou de tirar um chip de nossos carros”, ironizou um empresário brasileiro em reportagem do jornal Valor Econômico sobre os efeitos colaterais da pandemia na indústria automobilística. A ironia não é totalmente descabida. Com a evolução tecnológica, fabricantes de chips desenvolveram soluções para quase tudo, e em alguns casos esses minúsculos dispositivos se prestam a diversos ramos da indústria. Toda vez que você, motorista, ouvir falar a partir de agora em “computador de bordo” entenderá melhor do que se trata.

A questão é que a pandemia não perdoou nenhum segmento de atividade – OK, ajudou os provedores de streaming, mas não muito mais do que isso. Para conter a disseminação do vírus na gigantesca população chinesa, o governo local obrigou as indústrias a reduzir seu ritmo de atividade, o que vem afetando o fornecimento de componentes diversos. Enquanto aumentava a demanda por laptops para o home office, por exemplo, muitos fabricantes começaram a ter problemas nas entregas.

Duas semanas atrás, numa sequência preocupante, as principais montadoras internacionais começaram a enviar relatórios a seus acionistas alertando que a produção seria cada vez mais afetada. Muitas decidiram dar férias coletivas (neste link, a situação no Brasil). Fabricantes de chips como Qualcomm e AMD também informaram oficialmente sobre o problema, a ponto de o presidente Joe Biden assinar decreto com incentivos à produção nos EUA. E no Japão, a Sony teve de retardar as entregas do PlayStation 5, seu principal lançamento do ano.

Curioso é que tudo isso está acontecendo num contexto de mudança tecnológica cujo foco está nos gadgets – dispositivos de pequeno porte que trazem potentes processadores embutidos. Segundo a CTA (Consumer Technology Association), o ano de 2020 foi o melhor da história nesse segmento, que inclui smartphones, fones de ouvido, consoles de videogame e todo tipo de acessório smart. A previsão é que 2021 mantenha a tendência. O problema é se os fabricantes conseguirão entregar os chips. Sem eles, nada feito.

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