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O dilema da TV por assinatura

24 de setembro de 2021

 

 

Sai a TV por assinatura e entra o streaming por assinatura (SVOD, no jargão técnico). É cada vez maior o número de usuários que fazem essa opção, um fenômeno que começou com a Netflix e seu modelo irresistível de fartos conteúdos por uma mensalidade baixa (hoje, não tão baixa assim). Todos os serviços que vieram depois (Amazon Prime, Apple TV+, Globoplay e os mais recentes Disney+, HBO Max e Star+) seguem esse modelo, embora nenhum tenha conseguido – pelo menos até agora – se equiparar à eficiência da Netflix.

Como já comentamos aqui, os canais pagos estão ficando sem alternativa que não seja migrar seus conteúdos também para o streaming, diretamente ou via parcerias. Não é possível prever como isso irá evoluir nos próximos anos, mas com certeza a saída não é maquiar os números de vendas de assinaturas, como acaba de ser feito pela Anatel. Na verdade, como explicou o colega Samuel Possebon no site Tela Viva (vejam aqui), a mudança foi feita em 2019, mas só agora entra nas estatísticas.

Como que por milagre, o número de domicílios com TV paga subiu de 13,87 milhões em junho para 16,37 milhões em julho. De onde vieram esses 2,5 milhões a mais? Simplesmente, a Anatel passou a incluir na conta os usuários de DTH (TV via satélite) que recebem apenas os canais obrigatórios e, portanto, não pagam assinatura. Esse foi no passado um truque usado pelas operadoras para aumentar suas bases, na expectativa de que com o tempo aquele usuário se tornasse, de fato, assinante.

Portanto, da próxima vez que você ler ou ouvir algo sobre os domicílios atendidos com TV por assinatura, não dê importância: a Anatel não vai mais discriminar quem é ou não pagante. Seguindo a falta de transparência infelizmente muito comum no atual governo, a Agência não deu esclarecimentos sobre a medida. Está decidido e pronto.

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