Uma das marcas mais presentes na CES é sempre a Dolby. E isso há décadas. Não é por acaso. Embora não seja fabricante de hardware, a empresa fundada na Califórnia em 1965 continua sendo a principal referência em software de áudio. Embora sem ter um estande na feira, muitos expositores destacam recursos Dolby em seus produtos, que assim se tornam mais valorizados.

Por isso, foi com prazer que atendi a um convite para visitar a Dolby House, evento paralelo à CES em Las Vegas. Ali, tive a oportunidade de ver e ouvir pela primeira vez o novo padrão de áudio Flex Connect, que comentei semanas atrás neste post. Com uma TV (TCL), uma soundbar e duas caixinhas traseiras, foi possível entender a que nível de evolução já chegam os softwares de processamento. Durante a demo, as duas caixas sem fio eram manipuladas por um técnico da Dolby, mais próximas ou mais separadas, apenas para mostrar que a TV localiza em tempo real a posição das caixas (esse o segredo do software) e ajusta a reprodução de acordo (vejam no vídeo).

Ou seja, o próprio usuário pode agora posicionar suas caixas onde quiser para obter a sensação de envolvimento desejada. Nem se trata aqui de analisar a qualidade sonora em si – o ambiente era barulhento e as caixas utilizadas eram simples. A questão é o horizonte que essa inovação descortina, colocando em cheque o próprio conceito de home theater como aprendemos: cada caixa colocada em seu lugar específico.

Se a introdução do Dolby Atmos, dez anos atrás, já bagunçou muito as coisas substituindo a noção de “canais de áudio” pela de “objetos de áudio”, que dizer agora? Dois fabricantes de TVs – as chinesas TCL e Hisense – já fecharam acordo com a Dolby para introduzir o software Flex Connect em seus modelos 2024. Não será supresa se outros seguirem essa trilha.

Na Dolby House, vimos ainda outras inovações, como a expansão do padrão Dolby Atmos para 10 marcas de carros de luxo, sendo a primeira delas a Mercedes, que também participou do evento. A bordo de um Lotus Eletre (sim, a mesma Lotus da Fórmula 1, que também produz carros de passeio), experimentamos áudio imersivo sobre quatro rodas. Veredicto: quase tão bom quanto no sofá de casa.

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