
Dá para acreditar que, em plena terceira década do século 21, as vendas de CDs estejam crescendo? Sim, ele mesmo, o quase cinqüentão Compact Disc, prestes a completar 45 anos de idade (o primeiro player foi lançado pela Sony em 1982). Os dados foram divulgados na semana passada pela RIAA (Recording Industry Association of America), que representa as maiores gravadoras. É bom deixar claro que os números da RIAA se referem apenas ao mercado norte-americano (EUA e Canadá). Mas o fenômeno parece ser internacional. Segundo a entidade, no primeiro semestre deste ano a venda de CDs gerou receitas de US$ 171 milhões, com 17,5 milhões de discos vendidos.
Alguém pode dizer que se trata de uma ninharia, se comparada aos US$ 4,9 bilhões que renderam os serviços de streaming. Ou mesmo aos US$ 731 milhões do vinyl. Mas, enquanto o crescimento desses dois segmentos foi de 6,9% e 17,7%, respectivamente, o salto dos CDs foi de 58,6% sobre o mesmo período de 2025. E aí é que as explicações começam a ficar mais complexas.
O fenômeno K-Pop
Quem compra tantos CDs, considerando que todas as músicas estão disponíveis no Spotify, Deezer, Apple Music, Google Music etc.? Pelo que indicam as pesquisas, não se trata de consumidores saudosistas que gostam de ouvir o álbum inteiro e não apenas uma outra música. O grande fenômeno por trás dos números atende pelo nome de K-Pop. Se EUA e Japão continuam sendo, como sempre foram, os maiores mercados consumidores de discos, a Coreia do Sul desponta como terceiro maior exportador de música, perdendo apenas para EUA e Reino Unido.

A K-pop se tornou mania universal, forçando milhares de pais e mães de família a investir não só em discos, mas em todo tipo de bugiganga relacionada. Só no primeiro trimestre de 2026, a Coreia faturou US$ 120 milhões com as vendas de discos do gênero, um aumento de 159% sobre 2025. Não são discos comuns, vêm em embalagens recheadas de fotos, bótons e acessórios colecionáveis que, para muitas crianças e adolescentes, valem mais do que qualquer brinquedo. Estamos falando, portanto, de fanáticos colecionadores, não propriamente de consumidores de música.
Players piratas
Um dado curioso a respeito é que, mesmo com tais cifras, as pesquisas não registram números correspondentes de players comercializados. Cerca de 50% dos fãs sequer possuem um CD player; os demais buscam aparelhos portáteis de baixo custo, até mesmo usados, ou então reedições piratas dos velhos Discman vendidas em sites como eBay e Ali Express. Pensando bem, qualquer um serve.
Duas curiosidades. Os japoneses são, proporcionalmente, os maiores adeptos das mídias físicas: em 2025, gastaram o equivalente a US$ 1,42 bilhão em CDs e vinis. E os latinoamericanos, particularmente mexicanos e brasileiros, são os campeões do streaming, cada um entregando às plataformas aproximadamente US$ 1,5 bilhão por ano, segundo a IFPI.
