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Tecnologia para tudo (e para todos)

Inovadores do Brasil

5 de janeiro de 2012

É impressionante como empresas e cidadãos brasileiros dependem do governo. Estamos, claro, longe da China ou da Coreia do Norte, onde ninguém pode dar qualquer passo sem o aval das “otoridades”. Mas chama atenção aqui a dificuldade (ou seria preguiça?) geral em se desvencilhar do colo estatal.

Pouco antes do Natal, a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, divulgou em conjunto com o Sebrae os termos de um projeto chamado Prime (Programa Primeira Empresa Inovadora), agora em sua segunda edição. A ideia seria incentivar pequenos e médios empreendedores. Diz a Finep que serão distribuídos cerca de R$ 270 milhões a empresas selecionadas, nos setores de Tecnologia da Informação, Energia, Biotecnologia, Saúde, Defesa e Desenvolvimento Social. Apenas uma das entidades captadoras – a Fumsoft, de Minas Gerais, voltada ao segmento de informática – teria escolhido 117 empresas na primeira fase do Prime, em 2009, sendo que cada uma delas recebeu R$ 120 mil (não reembolsáveis).

Não posso aqui entrar no mérito da escolha, muito menos de cada um dos projetos agraciados. Mas, no país das ONGs, toda vez que ouço falar sobre verbas públicas distribuídas dessa maneira, algo me cheira mal. É mais ou menos o que sinto quando se fala de “apoio oficial à cultura”. Muito estranho – e suspeito – que o mesmo governo que solta dinheiro dessa maneira cobre das empresas os tributos vigentes no país, que são escorchantes sob qualquer ponto de vista. Por que, em vez de se doar verbas, não se reduz a carga tributária das pequenas e médias empresas? Não seria mais racional?

Merecem mais crédito, a meu ver, iniciativas como o Brasil Innovators, uma espécie de incubadora de novos negócios que funciona a partir de uma, digamos, mini-rede social criada por Bedy Yang, uma brasileira descendente de chineses que se tornou uma das figuras mais importantes do setor (leiam aqui uma entrevista dela). Bedy e mais alguns investidores identificaram o alto potencial brasileiro para criar o que os americanos chamam de startups, pequenos negócios na área de tecnologia, e através dessa rede passaram a atuar como intermediários entre empreendedores e investidores. Contribuíram, assim, para a criação de muitas empresas que com o tempo deixaram de ser pequenas e decolaram.

Tendo morado no Vale do Silício, Bedy fez contato com muitos dos chamados angel investors, nome dado aos que têm dinheiro e apostam em novas ideias. Usando sua rede como ferramenta de comunicação e colaboração, ela organiza encontros, promove seminários, presta assessoria aos iniciantes, enfim, dá os “empurrões” tão necessários nessa fase inicial de todo negócio.

Não consta, até agora, que tenha ido pedir dinheiro ao governo.

 

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