Quem precisa de 8K?

13 de janeiro de 2019

Ouvi essa pergunta de várias pessoas nos últimos meses, e também aqui na CES 2019. Em pleno processo de difusão da resolução 4K, que no ano passado começou a decolar com a Copa do Mundo, é difícil mesmo entender por que a indústria dá a largada em mais uma corrida que tem tudo para confundir a cabeça do consumidor. Assisti a uma demonstração comparativa com TVs 4K x 8K, ambos de 70″, e confesso que foi difícil encontrar diferenças significativas; 8K me pareceu com mais profundidade, próximo do 3D (sem os óculos), mas isso depende muito do conteúdo. Aliás, a quase morte dos TVs 3D tem tudo a ver com a evolução do 4K.

Do ponto de vista do mercado, primeiro há a questão do conteúdo. São remotas as chances de que serviços como Netflix e Amazon passem a oferecer filmes e séries em 8K este ano – talvez em 2020, mas há quem aposte em três ou quatro anos para que os produtores se animem. Nem Hollywood parece disposta. Num contexto de custos crescentes na produção de filmes e queda nas bilheterias, não faz sentido acrescentar mais esse item nos orçamentos.

2020 será um ano-chave para 8K por causa da Olimpíada de Tóquio, onde os japoneses planejam promover o lançamento “oficial” captando os Jogos nessa resolução e transmitindo para os países que tiverem condições de receber o sinal. Certamente serão poucos, e dependendo da reação o projeto pode ser retardado por mais alguns anos.

Do lado dos fabricantes, a expectativa é que os TVs 4K comecem agora a ganhar a classe média, aumentando os volumes mas, ao mesmo tempo, reduzindo as margens de lucro de toda a cadeia. Seria bom, por isso, contar com uma nova categoria de produtos que ajude a fechar os balanços. 8K atenderia ao nicho dos early adopters, sempre pequeno, embora influente.

Dentro da indústria, os mais otimistas tomam como base a experiência do HD e do UHD: enquanto o primeiro levou cerca de 8 anos para se popularizar, o segundo entra agora no seu quinto ano. A tendência, dizem eles, é que 8K reduza mais ainda esse tempo.

 

 

Na CES 2019, somente a LG não pareceu empolgada em lançar TVs 8K tão cedo, embora tenha mostrado dois com essa resolução, um OLED (foto ao lado) e um NanoCell (ainda não definiu quando chegarão ao mercado). Os demais fabricantes prometem fazê-lo ao longo do ano. Porém, como sempre acontece com tecnologias emergentes, falta só combinar com o senhor consumidor.

4 Replies to “Quem precisa de 8K?”

  1. Luiz Romão. disse:

    Duvido que a diferença entre 4k e 8k seja tão expressiva que valha o investimento, por outro lado o efeito upscaling com filmes blu ray é tão impressionante que justifica e muito a troca hd por 4k, sendo que este já justifica, por sua performance, o sucesso crescente que tem alcançado.
    Luiz Romão.

  2. Silvanio Silva disse:

    O mercado cada vez mais dando passos mais largos que a pernas!
    Ainda é comum conteúdo Full HD com qualidade questionável, 4K ainda é escasso e já estão vindo com essa de 8K com base em upscaling?!
    Do meu ponto de vista, as próprias empresas estão matando o que elas mesmo criam!!!

  3. rafael disse:

    Já ficaria feliz com o lançamento de modelos micro led em resolução 4k. Não aguento mais o preto/cinza das leds e, não quero investir em oleds para em curto prazo vir a me decepcionar devido ao burn in.

  4. artmosferahd disse:

    UHD 4K já está mais que suficiente para home video, haja vista que para se “sentir” uma resolução UHD 8K, é preciso de telas de mais de 85 polegadas. 8K serve para projeções em cinema, ai sim, vê-se a difereça.

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