Criatividade contra as crises

25 de junho de 2020

 

Todo brasileiro conhece casos de empresas que não estão suportando a crise atual. Como já aconteceu em períodos anteriores, desastres econômicos atingem em cheio as micro e pequenas, que no Brasil – ao contrário de outros países – padecem da eterna falta de capital de giro. Temos um sistema bancário que, a cada dia mais, faz jus à velha máxima do Barão de Itararé: “Banco só empresta dinheiro a quem apresenta provas de que não precisa de dinheiro”.

Apesar disso, e de todas as burocracias, chantagens e atrasos que nos cercam, há empresários brasileiros competindo contra – e muitas vezes vencendo – grandes marcas internacionais. Num levantamento recente, a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL listou 23 empresas nacionais que o fizeram, somente no segmento de áudio, vídeo e automação. Já conseguimos produzir aqui itens sofisticados como telas de vídeo dual (exibem imagem dos dois lados), matrizes de áudio/vídeo 4K, subwoofers com design arquitetônico, processadores digitais de áudio multiroom e centrais de automação capazes de controlar um prédio inteiro.

Conversando tempos atrás com um empresário americano, ouvi que se os brasileiros falassem inglês dariam muito trabalho competindo por lá. Não duvido. Esse mesmo amigo , no entanto, estranhou que no Brasil não existam muitas entidades de classe – como há milhares nos EUA, em todos os setores – para lutar contra um Estado que rouba dos cidadãos, todos os anos, mais de 30% de tudo que se produz. Tive que concordar novamente.

Como sabe qualquer pessoa que já morou em condomínio, é difícil juntar mais de dez brasileiros para se organizarem e defenderem benefícios comuns – uns desconfiam dos outros e ninguém quer abrir mão de seus privilégios. Não por acaso, somos campeões mundiais em atitudes como furar fila, sonegar impostos, consumir produtos piratas, pagar propina, estacionar em fila dupla; ultimamente, também em espalhar fake news e desrespeitar regras de saúde coletiva. 

Precisamos urgentemente dar um jeito de canalizar parte da criatividade empresarial, que ajuda a superar crises como esta de 2020, para nos unir por uma sociedade melhor para todos – e sem privilégios, por favor. Aí, sim, poderemos competir com qualquer país do mundo.

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