Há quem diga que os fones de ouvido são a melhor forma de se ouvir música, já que os sons chegam diretamente ao usuário, sem os filtros de um cabeamento complicado nem das alterações causadas pelo ambiente. É um ponto a se discutir. Mas o que não dá pra questionar é a incrível evolução desses aparelhos, que estão se tornando companheiros inseparáveis de muita gente.

Vejam, por exemplo, a linha Live da JBL. Até uns dois anos atrás, era quase impossível imaginar avanços como:

*Cancelamento dinâmico de ruídos, em tempo real, com 6 microfones internos treinados por IA;

*Criação de palco sonoro, com processamento avançado para localização dos instrumentos, numa réplica do que se tem numa sala de audição;

*Certificação para áudio HiRes usando conexão cabeada (Bluetooth, mesmo na versão 6.0, não permite alta resolução).

Some-se a isso facilidades de operação como a bateria para 80 horas (50 no modo cancelamento de ruídos) e a opção para chamadas telefônicas simultâneas, com dois microfones embutidos, e temos aí um belo custo-benefício, considerando a faixa de preço (R$ 800). Provavelmente, a qualidade da reprodução – que costuma ser um critério subjetivo – não se equipare aos modelos premium da própria JBL ou de concorrentes como Sony, Sennheiser, B&W, AudioTechnica etc.

 

O QUE DESEJA O CONSUMIDOR?

Mas, será que isso é importante? Em reportagem na semana passada, a revista inglesa What HiFi entrevistou executivos de marcas top do segmento, só para concluir que apenas uma minoria de consumidores se preocupa com coisas como “HiRes”, “Lossless” ou “24-bit”. A maioria escolhe com base em critérios como praticidade, conforto e capacidade da bateria. “Eles já estão satisfeitos com o que oferecemos hoje”, comentou Christian Ern, da Sennheiser.

Do ponto de vista mercadológico, pode fazer sentido. Mas, como Ern e seus colegas reconhecem, a indústria não pode se contentar. É preciso buscar incessantemente o aperfeiçoamento. Vejam o caso da japonesa NTT, uma das principais marcas da Ásia, que em 2024 apresentou o protótipo de algo que pode revolucionar o mercado: uma versão avançada de ANC (Active Noise Control).

 

Segundo a empresa, seria uma nova arquitetura de fone (falante + microfone + processador) com sensores que atuam dinamicamente sobre o sinal conforme as condições de ruído ambiente. Uma espécie de “cancelamento adaptativo de ruídos”, que ganhou o nome de Spatial ANC, e proporcionaria melhor inteligibilidade tanto em música quanto em conversas telefônicas. Ainda não há produto comercial com tais capacidades, mas essa tecnologia atualmente em fase final de desenvolvimento, diz a NTT, permitirá que o usuário ouça simultaneamente o seu conteúdo combinado com os sons do ambiente, de forma integrada e natural. O nome comercial proposto é Acoustic XR. A conferir.

 

 

Orlando Barrozo é jornalista especializado em tecnologia desde 1982. Foi editor de publicações como VIDEO NEWS e AUDIO NEWS, além de colunista do JORNAL DA TARDE (SP). Fundou as revistas VER VIDEO, SPOT, AUDITÓRIO&CIA, BUSINESS TECH e AUDIO PLUS. Atualmente, dirige o site HT & CASA DIGITAL. Gosta também de dar seus palpites em assuntos como política, economia, esportes e artes em geral.

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