Globo e Amazon investem contra Netflix

25 de agosto de 2019
Nesta semana, foi confirmada uma dança das cadeiras no mercado de streaming: João Mesquita, que estava na Globoplay, transferiu-se para a Amazon, onde vai comandar o serviço Prime Video. Em seu lugar, assumiu Erick Bretas, um dos idealizadores do serviço da Globo e um dos responsáveis pela recente virada do grupo na direção digital. Ele vem de um período no Vale do Silício, onde comandava um “hub de inovação” da Globo.
A disputa das duas empresas com a Netflix tende a se acirrar daqui por diante. Aliás, não é novidade que o serviço líder no streaming está sob ataque em seu próprio quintal, com a expansão de concorrentes como Apple Video e Google Video, além da chegada do Disney+, prometido para o final do ano. Some-se a isso ofertas como HBO Go e Fox+, e tem-se um panorama de competição cada vez maior.

           

Sobre o mercado internacional falaremos em outro post. Focando no Brasil, é indiscutível a força da Globo – mais até que a Amazon – para competir com a Netflix. No início do mês, foram inaugurados os novos estúdios da emissora no Rio de Janeiro (foto), que passam de 8 para 12,5km2, o maior complexo de produção da América Latina. É um investimento de R$ 200 milhões, que inclui três estúdios com espantosos 1.500 metros quadrados cada!!!

Falando a jornalistas durante o evento, Jorge Nóbrega, presidente do Grupo Globo, revelou que a ampliação faz parte de um plano de investimentos de R$ 1,1 bilhão na compra de equipamentos e atualização de softwares, além de R$ 4,2 bilhões que serão gastos na produção de novos conteúdos, nos próximos quatro anos. “Trabalharemos com resultado operacional negativo até 2021. Vamos sacrificar uma parte dos resultados para financiar essa transformação, que visa nos tornar uma empresa de media tech“, anunciou o executivo.
Pelos dados divulgados, os novos estúdios aumentarão em 40% sua capacidade de produção, inclusive em 4K. É parte fundamental do projeto “Uma Só Globo”, significando que todas as operações – TV aberta, TV por assinatura, internet e streaming – passam a produzir como uma unidade integrada. “Mudamos de modelo focado em distribuir conteúdo através da TV para um modelo B2C (business to consumer)”, acrescentou Nóbrega.
Um possível ganho nessa estratégia é fazer aquilo que Google, Facebook e demais gigantes da web já fazem há anos: conhecer melhor o usuário para poder “vendê-lo”. São 70 milhões de usuários, dos quais 30 milhões já estão cadastrados no Globoplay. Como disse no evento o diretor-geral do Grupo, Carlos Schroder: “Vamos entregar ao anunciante o consumidor que ele quer, independente do produto”. 
Exemplo concreto é uma adaptação no velho merchan, que a emissora moldou e popularizou: está sendo flexibilizada a ‘regra de ouro’ que impede artistas de aparecer em anúncios publicitários nos intervalos. Agora, os personagens também serão usados para vender produtos. Eis aí algo que Netflix e Amazon dificilmente poderão oferecer.

2 Replies to “Globo e Amazon investem contra Netflix”

  1. […] Tecnologia da Globo acrescenta que a inaguração dos novos estúdios do Grupo no Rio de Janeiro (veja aqui os detalhes) faz parte dessa estratégia. “Temos cerca de 4 mil profissionais atuando nessa infraestrutura […]

  2. […] sobre a nova estratégia do Grupo Globo com o serviço Globoplay, criado para enfrentar o Netflix (vejam neste link). Na semana passada, conversamos com o homem que comanda esse grande desafio tecnológico, Raimundo […]

Deixe uma resposta