O fenômeno Tropa de Elite

Não costumo comentar aqui sobre filmes, mas é inevitável voltar ao fenômeno ´Tropa de Elite`, um dos mais inquietantes e provocativos dos últimos anos. Durante as duas últimas semanas, lendo a cobertura do importante Festival de Cinema de Berlim, achei que o filme não tinha a menor chance nessa competição. Praticamente toda a imprensa mundial – incluindo os influentes Variety e Le Monde, além dos principais jornais brasileiros – massacrou o filme, acusando-o de fazer a apologia da violência e de defender o preconceito contra as vítimas do crime, entre outras bobagens.

Bem, de duas uma: ou a chamada “grande imprensa” está perdendo sua influência, ou os profissionais de cinema estão querendo mesmo é provocar. ´Tropa de Elite´ ganhou o tão sonhado Urso de Ouro em Berlim e todo mundo teve que calar a boca, inclusive os críticos brasileiros que entraram nessa campanha.

Não sou crítico de cinema, e conheço bem poucos que vale a pena ler. Mas basta estar antenado com a situação do Brasil e do mundo para perceber que ´Tropa de Elite´ mexe com uma enorme ferida aberta na sociedade brasileira, que é o financiamento do tráfico de drogas pela classe média alta, que mantém seus consumidores. Em meio a tanto lixo cultural que vemos por aí, eis um filme que vale a pena ver, rever, comentar, debater e indicar.

Não vi os outros filmes que concorriam ao Festival, mas o pessoal de Berlim está de parabéns.

Agora é o fim, mesmo!!!

Na 6a. feira, os comentários circulando pela internet já eram de que a Toshiba iria jogar a toalha. O jornal norte-americano The Hollywood Reporter deu um furo mundial ao anunciar, em manchete, que a decisão estava tomada – era apenas questão de semanas para ser anunciada.
 
Mas no sábado a rede de televisão japonesa NHK deu a notícia no ar: executivos da Toshiba decidiram mesmo abandonar de vez o formato HD-DVD, diante dos prejuízos que a empresa vem acumulando ao subsidiar as vendas de players desse formato nos últimos meses. E neste domingo uma fonte da própria Toshiba, citada pela agência Reuters, confirmou tudo.
 
É, não tinha mais jeito. Depois que a Warner abandonou o barco, Paramount e Microsoft ameaçaram fazer o mesmo. Agora que três dos maiores revendedores do mundo (BestBuy, Wal-Mart e Netflix) também decidiram dar exclusividade ao Blu-ray, não restava mesmo alternativa à Toshiba.
 
Falta agora o anúncio oficial, mas será mera formalidade.

Para onde vão nossos bilhões?

Aliás, a forma como este governo vem administrando a área de telecomunicações em geral daria um belo livro de espionagem. Ou de mafiosos. Vejam o enrolado caso da compra da Brasil Telecom pela Oi. Todo dia a imprensa publica uma novidade cabeluda a respeito.
 
Claro que este não é o espaço adequado para detalhar o que está acontecendo. Sugiro aos interessados uma reportagem excelente de Daniela Moreira, que saiu esta semana no IDG Now (leia aqui). 

Há divergências entre os especialistas, mas o que importa – pelo menos a nós, consumidores e contribuintes – é o seguinte: o governo quer porque quer criar uma megaoperadora “brasileira” de telefonia, para competir em melhores condições com as multinacionais Telefonica (maior acionista da Vivo) e Telmex (dona da Claro e da Embratel). Para isso, armou um complicado esquema financeiro, em que os atuais donos da Oi (os grupos LaFonte e Andrade Gutierrez, este por sinal o maior financiador da campanha de Lula a presidente, e sócio do filho de Lula) receberiam dinheiro do BNDES para comprar a BrTelecom, que tem entre seus sócios o Citigroup e o megainvestidor Daniel Dantas.
 
Claro, não estamos falando de pouco dinheiro: o negócio todo passa da casa dos R$ 5,2 bilhões!!!
 
Bem, em qualquer país sério todo mundo acharia um escândalo usar dinheiro público para financiar uma operação como essa. Ainda mais considerando que os dois grupos beneficiados têm negócios com o governo (ou com o presidente e sua família) e que não estão propriamente entre os mais necessitados do País. Mas talvez seja ainda pior o fato de que se está dando um enorme passo atrás no processo de privatização das telecomunicações. Este teve suas falhas, com certeza, talvez até irregularidades – que o governo deveria investigar, mas não o faz.
 
Um dos erros foi justamente restringir a prestação do serviço de telefonia a duas ou três empresas, quando o consumidor deveria poder escolher entre cinco, seis ou dez! Em São Paulo, por exemplo, temos hoje três operadoras de celular (Claro, Vivo e Tim), com a perspectiva de entrada de uma quarta (Oi), que certamente ajudaria a melhorar os serviços e quem sabe baratear os custos. O que faz então o governo? Tenta concentrar ainda mais esse mercado, em vez de estimular a entrada de novos prestadores.
 
Pensando bem, usei lá em cima a palavra “escândalo”. Mas esta é insuficiente para definir o que está acontecendo.

Falta só um ano…

 Neste fim de semana, a rede de TV WNBC, dos EUA, exibe um documentário chamado “Get Ready for Digital TV”. É que daqui a exatamente um ano, em 18 de fevereiro de 2009, todas as emissoras americanos terão obrigatoriamente que interromper suas transmissões analógicas e passar a gerar somente sinal digital. As que não estiverem prontas para isso serão simplesmente tiradas do ar!
 
Pois é, lá essas coisas são pra valer. Há uma intensa campanha na mídia, sustentada em grande parte pelo governo, mas também pela indústria e pelas próprias emissoras, para informar ao consumidor como ele deve se preparar para essa mudança. Na verdade, esse processo teve início em 2003, quando as primeiras transmissões experimentais começaram em algumas cidades (como está acontecendo agora no Brasil) e foi fixada aquela data como o deadline final. Por sinal, também neste fim de semana, a FCC (equivalente à Anatel) está cortando todas as linhas de celular analógicas que ainda funcionam. A partir de agora, só celular digital.
 
Aqui, além de todos os problemas que já tivemos desde a fase de testes, quando se discutia qual dos três padrões era melhor (isso foi no já longínquo ano de 1998, ou seja, dez anos atrás), o início das transmissões está sendo problemático e a data fixada pelo governo para o final da transição (2016) parece coisa de ficção científica.
 
Aindo hoje, li na coluna de Sonia Racy no Estadão que o presidente Lula “determinou” que os fabricantes de celular incluam em seus novos aparelhos a capacidade de recepção do sinal de TV Digital. Ora, todo mundo sabe que esses modelos já existem e que custam mais caro do que um celular comum. Tem que ser assim. A demanda dos consumidores é que vai determinar, no futuro, quais aparelhos terão ou não esse recurso.
 
Só falta agora Lula e seu ministro das Comunicações dizerem, como no caso do conversor digital, que os fabricantes devem vender esse tipo de celular a R$ 100???

YouTube para crianças?

Falando em jovens, vejam que idéia legal teve a empresa Sesame Workshop, que detém os direitos da célebre série ´Vila Sésamo´. Leio no Tela Viva News que eles criaram uma espécie de rede virtual para crianças em idade pré-escolar. Usam as mesmas ferramentas do YouTube, como separação por assuntos e mecanismo de busca, só que num formato apropriado para essa faixa etária.
 
Os botões são grandes e a navegação é simplificada. Os pais podem ajudar na procura por temas de interesse dos filhos e estimulá-los a procurar tags como meio ambiente, jogos etc. A Sesame também criou a comunidade on-line Panwapa, que segundo André Mermelstein, do Tela Viva, seria uma espécie de Orkut para baixinhos. Estes podem criar personagens e trocar mensagens entre si, como já fazem milhões de adolescentes pelo mundo afora.
 
Resumo: as novas gerações estão começando cada vez mais cedo nessa brincadeirinha chamada tecnologia da informação.
 
Veja mais detalhes neste link.

A culpa não era dos estudantes

Este é o tipo de imbroglio que pode comprometer os responsáveis. Segundo a agência Associated Press, uma estatística divulgada em 2005 a respeito das perdas dos estúdios de cinema devidas à pirataria, foi manipulado pela MPAA (Motion Picture Asociation of America), a entidade que representa os estúdios.
 
A própria MPAA admitiu o erro. Três anos atrás, divulgou que 44% das perdas na venda de filmes deviam-se a downloads ilegais realizados por estudantes, que usavam as redes de banda larga das universidades norte-americanas. Lembro que, na época, a maioria dos especialistas aceitou os dados como naturais: afinal, o computador é hoje (e já era então) o principal passatempo dos estudantes nas horas de folga, ou até quando matam suas aulas.
 
Só que aqueles 44% eram, na verdade, 15%! A MPAA atribui a falha a “erro humano”, sem especificar o que isso significa (será que algum funcionário da entidade confundiu, sem querer, 15 com 44?). O caso repercutiu pesado nos meios universitários, já que a acusação passava a idéia de que todos os estudantes dedicavam-se a ficar baixando filmes ilegalmente. Mark Luker, vice-presidente da entidade Educause, que defende mais investimentos em educação, lembrou que a maioria dos estudantes não mora nas universidades; para ele, os tais prejuízos não passariam de 3%.
 
Nos EUA, onde já houve até gente presa por causa desse tipo de download, as universidades levam a sério o problema. Há hoje um grande esforço para criar mecanismos de controle nas redes usadas nas escolas. Sinceramente, não sei se esse controle é viável. Agora, culpar estudantes por um problema que é mundial – e envolve forças muito mais poderosas – francamente não dá…

No Rio, TV Digital só da Globo

A situação da TV Digital no Brasil continua mal parada. Se em São Paulo ainda há problemas com a recepção do sinal, no Rio a decepção pode ser maior ainda.
 
O governo confirmou o início das transmissões em abril, mas somente a Globo terá condições de fazê-lo (a data ainda não foi marcada). As demais emissoras não têm meios, nem equipamentos, nem pessoal, a esta altura, para gerar sinal digital com um mínimo de qualidade na capital fluminense.
 
O Ministério das Comunicações pretendia fazer no Rio uma festa igual à que houve em São Paulo no dia 2 de dezembro, com um pool de emissoras transmitindo pronunciamentos oficiais, mas o mais provável é que a Globo fique sozinha nessa iniciativa. Aliás, mesmo em SP, por pouco a emissora do Jardim Botânico não transmitiu a cerimônia com exclusividade, já que as demais não queriam arcar com os custos correspondentes. Agora, sabe-se por que.

Em SP, uma megaconvenção de vendas

    Não é a toda hora que se consegue reunir, num mesmo local, os maiores revendedores especializados do País para discutir o rumo de seus negócios e as tendências do mercado. Pois isso vai acontecer nos dias 3 a 5 de março, na cidade de Águas de Lindóia, por iniciativa da distribuidora Disac.
 
A empresa espera trazer à cidade balneária cerca de 250 revendedores, vindos de todas as partes do País, numa megaconvenção de vendas. Todos ficarão reunidos durante os três dias, no Hotel Vacance, para conhecer as novas linhas de produtos, participar de treinamentos e trocar idéias (o que sempre é produtivo).
 
Para quem não se lembra, a Disac já fez isso no ano passado, e o sucesso foi tão grande que decidiu repetir a dose este ano, com mais convidados e mais produtos para mostrar e demonstrar. Ou seja, o evento vai se tornando tradicional e entrando na agenda de todo mundo.
 
Parabéns às empresas que, como a Disac, têm iniciativas para unificar o mercado e promover o aperfeiçoamento dos profissionais.

Para os interessados, vale uma olhada no vídeo-convite, http://www.disac.com.br/convencao2008/video/ uma das novidades relacionadas ao evento, que promete mesmo ser muito original.

Lojas da Apple confirmadas no Brasil

 

Já está quase tudo certo para a inauguração da primeira loja Apple em São Paulo. A empresa californiana, que se transformou na principal grife da indústria eletrônica, fechou acordo com a rede Fast Shop para abrir duas lojas na capital paulista, nos shoppings Iguatemi e Market Place.
 
A primeira delas, no Iguatemi, deve abrir na segunda quinzena de março, seguindo o modelo de algumas que a Apple mantém nos EUA – embora não tão grande quanto a de Nova York (imagem acima), por exemplo. A empresa de Steve Jobs encara esse tipo de iniciativa como estratégica para reforçar a posição da marca como líder mundial em tendências tecnológicas.
 
Ao contrário da Samsung Experience, que funciona há mais de dois anos no Shopping Morumbi, também em São Paulo, as lojas da Apple não servirão apenas para degustação: vão, sim, vender toda a linha de produtos da empresa disponíveis no Brasil, e a preços competitivos com os dos demais varejistas.
 
Não, não tenho informação de que o iPhone estará à venda lá. Talvez o iTouch, que a meu ver é até um produto mais interessante.

Uma loja virtual especializada

Ponto para o pessoal de Porto Alegre que acaba de lançar o site www.plasmacenter.com.br. A proposta, inovadora, é manter uma loja virtual especializada em produtos para home theater e dar ao cliente um atendimento digno de loja especializada mesmo!
 
Detalhe: não vende produtos sem garantia, nem “made in Paraguai”. E você pode pedir orientação técnica detalhada na hora de fechar sua compra. E, por ser virtual, pode atender clientes em qualquer ponto do País.
 
Recomendo uma olhada nas ofertas e torço sinceramente para que dê certo. O mercado está precisando de mais iniciativas sérias e originais como esta.

Tudo mais simples, por favor

Interessante reportagem da revista norte-americana Electronic House mostra o que a indústria eletrônica está fazendo para tornar mais simples a vida dos usuários. Fugindo do lugar-comum da propaganda em torno da facilidade de operação (aliás, uma das expressões mais batidas do jargão técnico), o texto relata diversos casos de produtos que realmente inovam nesse aspecto.
 
Um dos melhores exemplos é o ajuste de imagem feito pelos fabricantes de TVs. Para exibi-los nas lojas, os TVs são ajustados com super-saturação, de modo a parecerem mais brilhantes que os concorrentes. Ao chegar em casa, porém, o consumidor que adquiriu aquele produto encontra uma imagem tão brilhante que, às vezes, nem consegue olhar para a tela. A empresa norte-americana Syntax-Brillian, que produz televisores com a marca Ölevia, criou um novo tipo de ajuste; basta apertar uma (só uma) tecla no controle remoto e o TV se ajusta automaticamente à iluminação ambiente.
 
Outra bela inovação nesse campo vem da THX, a célebre empresa criada por George Lucas nos anos 70 e que se tornou referência em áudio. A nova tecnologia lançada pela empresa (batizada de “Media Director”) permite que o TV ajuste automaticamente tanto o áudio quanto o vídeo, dependendo do tipo de programa que se esteja assistindo. Claro: filmes em Blu-ray exigem ajustes diferentes dos DVDs comuns. Uma constatação tão óbvia que cabe perguntar por que os fabricantes não pensaram nisso antes. Aposto que em breve a novidade estará disponível na maioria dos TVs.
 
Sempre defendi junto aos fabricantes a necessidade de simplificar tanto a operação e os ajustes como os próprios manuais de instrução. Infelizmente, são poucos os que de fato se preocupam com isso, mas é possível notar na indústria uma preocupação crescente com esse aspecto. Foi-se o tempo do timer do videocassete, que ninguém usava porque não conseguia programar. Não há mais volta: seja um TV ou um celular, um computador ou uma câmera, o mundo cada vez mais será dos aparelhos simples.
 
O consumidor com certeza vai agradecer.

Para quem quiser ler o texto na íntegra, aqui está o link:
http://www.electronichouse.com/article/coming_soon_self_calibrating_home_theaters/

Um ícone em crise

O Estadão desta 3a. feira publica que a Gradiente está pedindo mais um financiamento ao BNDES para ajudar a cobrir sua dívida, que seria de R$ 284 milhões. Parece que um fundo de pensões estatal iria assumir o controle da empresa, que segundo o texto simplesmente está sem vender nada há algum tempo (a fábrica de Manaus, onde trabalham 550 pessoas, está sem atividade desde agosto, e os funcionários em férias coletivas).
 
Para quem acompanha o mercado brasileiro de eletrônicos há quase 30 anos, é triste ler uma notícia como essa. A Gradiente se confunde com a História da indústria brasileira. Infelizmente, uma série de erros estratégicos ao longo de todos esses anos acabou levando à situação atual, e até ofuscando o fato de que a empresa foi pioneira em lançamentos como o CD, o receiver A/V e o próprio DVD. O fato de não possuir tecnologia própria certamente é um dos fatores responsáveis pela queda. Nos dias de hoje, ter que depender de terceiros para fornecimento de tecnologia é quase suicídio.
 
Voltaremos logo a este assunto, mas é importante lembrar também que, em seus mais de 40 anos de vida, a Gradiente acostumou-se a uma rotina de empréstimos governamentais que raramente acabam bem. Teve a benevolência de vários governos militares e, na era FHC, quando lhe faltou esse apoio, saiu em defesa de Lula e do PT. Foi premiada em 2003, com um empréstimo de R$ 100 milhões, que não evitou a crise atual.
 
Será que um novo empréstimo resolverá? Espero sinceramente que Eugenio Staub consiga reerguer sua empresa em bases sólidas, mas duvido que isso seja possível ancorando-se em dinheiro público.

Quando chegará o Ginga?

Pelo menos duas fontes do setor de televisão já me disseram que a tão aguardada interatividade digital não chega este ano na TV aberta. O Ginga, middleware escolhido pelo governo brasileiro para equipar os novos conversores (set-top-box), parece uma caixa preta – que nenhum fabricante pode (ou quer) destrinchar.
 
Primeira constatação: a maioria das emissoras não está preparada ainda para gerar sinal digital de boa qualidade. Não investiram em equipamentos de ponta, muito menos em técnicos capazes de operar esses equipamentos, o que exige muito treinamento, em alguns casos até mesmo levando esses profissionais para cursos no Exterior. A linha de crédito anunciada pelo BNDES para financiar a importação desses aparelhos continua apenas na promessa. O que não é de causar surpresa: os economistas que dirigem o banco sabem que esse tipo de empréstimo é de altíssimo risco. Se o dinheiro for mesmo liberado (no que não acredito), há o perigo de uma inadimplência colossal, já que a maioria das emissoras – Globo e Record talvez sejam as exceções – não consegue fechar suas contas.
 
Segundo ponto: a geração de sinal de TV via internet e via celular deve se popularizar muito mais rápido do que a transmissão convencional. As vendas de computadores não param de bater recordes, assim como as de celulares e as conexões de banda larga. Ou seja, vai ser muito mais fácil (e barato) utilizar a interatividade dessas mídias, e ninguém (ou muito pouca gente) vai querer esperar pelo tal Ginga, ou por qualquer outra ferramenta interativa para televisão aberta.
 
Terceiro: em qualquer lugar do mundo, interatividade custa caro. Alguém precisa pagar por ela. O único caminho, me parece, está na TV por assinatura. Fora disso, quem se habilitará a bancar essa brincadeira?

HDTV: um início complicado

Leio no UOL News que a Rede TV decidiu ser a primeira emissora do País a transmitir toda a sua programação em alta definição. Confesso que não sabia disso, até porque raramente assisto a essa emissora. Seria ótimo se pudesse ser verdade.
 
Mas a realidade é bem outra. A notícia diz que a emissora está enfrentando inúmeros problemas técnicos, com seguidas interrupções de sinal e falhas na qualidade da imagem que chega ao telespectador – inclusive aqueles que ainda têm equipamento analógico. A explicação seria que os funcionários ainda não dominam a tecnologia digital, levando-os a um grau de stress que beira a tensão nervosa.
 
O presidente da Rede TV, Amilcare Dallevo, que segundo a nota é engenheiro eletrônico e especialista nesse tipo de equipamento, decidiu que toda a programação seria levada ao ar em alta definição e não admite voltar atrás. Se for verdade, merece parabéns pela coragem. Mas também merece críticas pela ingenuidade: nem nos Estados Unidos ou no Japão, alguma emissora tentou fazer isso com apenas dois meses do início das transmissões.
 
Como sabemos, toda tecnologia nova leva tempo (e custa caro) para ser implantada e assimilada. No caso da Rede TV, o marketing acaba funcionando ao contrário, ou seja, além de não conseguir atrair novos telespectadores, a emissora ainda corre o risco de perder os atuais.

O Paraguai é aqui!

 

Na 1a. página do Estadão de hoje, uma foto muito ilustrativa: uma loja de Brasilia que vende produtos piratas!!! Pela foto, trata-se de um mega-camelô, com todos aqueles produtos que a gente encontra nas ruas de qualquer cidade grande.

Mas, por que a foto? Simples: é lá que uma funcionária do Palácio do Planalto se abastecia (ou abastece?) usando o tal cartão de crédito corporativo da Presidência da República. Você não leu errado. Segundo a matéria, o Portal da Transparência denunciou o uso irregular de mais essa mordomia, com o agravante que, entre as compras, incluem-se produtos piratas vindos do Paraguai – no caso, óculos de grife falsificados…

Pelo jeito, esse pessoal não aprende mesmo. O próprio presidente Lula já foi flagrado assistindo a uma cópia pirata do filme ´Filhos de Francisco`, lembram-se? Ministros e ministras já caíram porque exageraram na farra, depois que a imprensa os denunciou. E agora essa lama dos cartões corporativos!

Qual será a próxima que eles vão aprontar?

Para quem não viu a matéria, o link está aqui.

E para quem quiser ir mais fundo no assunto, a Folha de S.Paulo traz hoje outra matéria bem interessante: no governo do Estado de São Paulo, o uso dos tais cartões também já passou de todos os limites. Veja aqui.

A hora da reciclagem

A CEA (Consumer Electronics Association) está reforçando este ano sua campanha em favor das chamadas tecnologias verdes. Já comentei esse assunto aqui, mas agora, além do esforço natural dos fabricantes para produzir equipamentos que agridam menos a atmosfera, a campanha se estende também aos consumidores.

O site www.myGreenElectronics.org foi criado justamente para orientar e incentivar o uso racional dos aparelhos e a reciclagem dos produtos velhos. Pense bem: o que você faz com seu computador que já ficou obsoleto? Ou com sua câmera digital velha? Ou seu MP3? Pois é, você pode até ter vontade de jogá-los no lixo, mas é possível reaproveitá-los.

Entre outras coisas, o site dá dicas de produtos “verdes” para você escolher quando tiver, por exemplo, de dar um presente de aniversário; orienta sobre programas de reciclagem em determinadas cidades (por enquanto, cobre apenas o território americano, mas a CEA pretende levar a mesma idéia a outros países); uma calculadora virtual, que fornece o custo do uso de cada equipamento por minuto, por dia e até por ano; e dicas práticas para estender a vida útil de cada aparelho.

Uma das seções mais interessantes é esta: http://www.mygreenelectronics.org/ReduceRepair.aspx um guia prático para trocar, reciclar ou reaproveitar um equipamento usado.

Não sou favorável a se copiar tudo que vem de fora, mas neste caso é imprescindível: vamos criar algo assim por aqui?

A CEDIA vem aí…

Em abril, durante a Digital Home Expo, em São Paulo, teremos o primeiro curso oficial da CEDIA no Brasil. Para quem não conhece, a CEDIA (Custom Electronics Design and Installation Association) é a entidade que representa os profissionais da área que ficou conhecida como “custom installation”, ou seja, projetos residenciais que envolvem vários ramos da tecnologia, principalmente home theater e automação (nos EUA, são mais de 3 mil profissionais filiados).

Pois bem. A CEDIA iniciou há cerca de dois anos um esforço de internacionalização, abrindo filiais em países estratégicos, como Inglaterra, Itália, Rússia, Austrália e México. Para entrar na América do Sul, eles escolheram o Brasil, é claro. A idéia é convencer os profissionais brasileiros a se filiarem, ganhando com isso o direito a cursos completos das mais variadas disciplinas tecnológicas: automação, cabeamento, multiroom, sistemas sem fio etc.

Para iniciar esse trabalho de convencimento, eles decidiram aproveitar a realização da Digital Home Expo e oferecer aos brasileiros um curso, que dará direito a certificação da CEDIA. Certificação oficial, o que não é pouca coisa, num país tão carente de educação como é o nosso. Essa primeira série de aulas será ministrada por instrutores norte-americanos com larga experiência nesse tipo de trabalho. Nos EUA, a CEDIA mantém regularmente um programa com mais de 300 cursos! Um pouquinho desse conteúdo será trazido ao Brasil.

A entidade ainda está fechando a grade de aulas que irá ministrar durante a Expo. Prometo mantê-los informados a respeito. Mas, desde já, é bom todos os interessados se agendarem. Afinal, não é toda hora que se tem a oportunidade de assistir a aulas como essas.

Ah! Para quem quiser saber mais, o site é www.CEDIA.org. Leiam também este texto

O multimídia Marcelo Tas

Outro blog que recomendo é o de outro amigo, Marcelo Tas: http://marcelotas.blog.uol.com.br/ (desculpem, não quero usar este espaço para ficar falando de amigos, mas nestes dois casos é inevitável).

O Marcelo talvez seja o primeiro profissional multimídia do Brasil. Lá pelo meio dos anos 80, quando eu começava a aprender um pouco sobre tecnologia, ele já era videomaker; e muita gente nem, sabia o significado dessa palavra. Ele, o Fernando Meirelles (que depois virou cineasta), Tadeu Jungle (hoje um dos melhores videomakers do País), Marcelo Machado (um dos publicitários que mais sabe usar os recursos da tecnologia), enfim, toda uma geração que ajudou a formar esse mercado no Brasil.

Pois é, o Marcelo também se tornou pioneiro nessa febre de blogs que toma conta do mundo. Acabou de cobrir o Carnaval de Salvador com sua minúscula filmadora digital e seu celular. Confiram lá no Blog do Tas.

Outro dia, falando ao Estadão, ele disse que fica plugado 24 horas por dia. Não sei como consegue, mas o resultado é delicioso.

Mídia para quem tem o que dizer!

Acabo de ver o blog da minha amiga Cris Crucelli (http://www.almagestovida.blogspot.com/). Vale a pena dar uma olhada.

Incrível como ela consegue passar sua experiência de vida através do texto e das imagens. Também tem uns links muito legais, provando que blog é uma ótima mídia – para quem tem conteúdo.