
Mais uma trapalhada do governo Trump que atinge a indústria eletrônica. Nesta 5a feira, a FCC, agência reguladora do setor, baixou novas regras para a fabricação e comercialização de robôs que lá eles chamam de “humanoides”, ou seja, capazes de executar tarefas humanas. Na prática, a importação está proibida.
A alegação é, como de hábito, a segurança do país. Segundo a FCC, todo tipo de robô que “possa se mover, navegar, evitar obstáculos ou controlar os próprios movimentos” será afetado pela medida. “Dispositivos robóticos avançados produzidos no exterior podem ser transformados em armas de ameaça à segurança nacional dos EUA e das pessoas americanas”, diz o texto.
Além disso, as novas regras abrangem também:
*Dispositivos como estações de comunicação ou dock-stations pesando mais de 2kg;
*Dispositivos que utilizem software, firmware, IA ou aprendizado de máquina e possam ser controlados local ou remotamente;
*Sensores capazes de monitorar ambientes;
*Componentes que possam servir à instalação de redes com ou sem fio, incluindo comunicação por Bluetooth, Wi-Fi, celular ou satélite.
OBJETIVO É ATINGIR A CHINA
Ou seja, não são apenas os robôs como se conhece, mas uma lista bem ampla – e vaga – de aparelhos. Aspiradores de pó e cortadores de grama, por exemplo, caem nessa malha fina. Mas a questão parece ir muito além da mera proibição. Embora a norma da FCC não cite qualquer país em específico, é mais do que claro que sua motivação é a China, de onde vêm mais de 85% desses dispositivos, segundo pesquisa da agência Associated Press.
Como sempre, o governo Trump não consultou as empresas do setor, nem mesmo aquelas que produzem dentro dos EUA. Algumas ouvidas pelo site Tom’s Guide se mostraram surpresas e ainda à espera de informações mais claras. A própria CTA (Consumer Technology Association), que organiza a CES de Las Vegas e representa cerca de 3 mil empresas, divulgou em nota: “Apoiamos os esforços para proteger a segurança nacional. Mas essas políticas devem ser transparentes e focadas, sem prejudicar a cadeia de suprimentos”.
A exemplo do que ocorreu na época dos tarifaços (vejam aqui), o que muitos se perguntam é se as medidas irão, de fato, ajudar as empresas americanas. Itens como sensores, estações de rede e processadores de IA costumam ser importados da China, pois a produção americana, além de mais cara, é insuficiente.
O único consolo, se é que a palavra cabe aqui, é que o governo Trump tem mesmo o hábito de tomar decisões polêmicas e depois, diante das reações negativas, desistir delas como se nada tivesse acontecido. Talvez seja isso de novo.
