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Um novo escândalo na Oi?

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, e sua equipe técnica precisam de apoio – de toda a opinião pública – em sua luta para não aliviar as contas da Oi. Um tenebroso script foi preparado pelos acionistas, e por parte dos credores, para obrigar o governo a cobrir o rombo da operadora, que já ultrapassa a casa dos R$ 64 bilhões.

Os ruídos a respeito desse potencial “novo escândalo” são ouvidos aqui e ali no mercado. Na última terça-feira, houve bate-boca intenso entre dirigentes da agência e representantes dos grupos Pharol, herdeiro da Portugal Telecom, e Societé Generale, francês mas liderado no Brasil pelo polêmico investidor Nelson Tanure. A repórter Miriam Aquino, do site TeleSíntese, fez um resumo da reunião. Os distintos acionistas querem que a Anatel abra mão das multas já aplicadas à Oi por falhas no atendimento e na cobertura, que totalizam mais de R$ 11 bilhões. E sugerem que o BNDES seja chamado, pela enésima vez, para ajudar a financiar a empresa!!!

Em entrevista ao site da revista Época Negócios, o presidente da operadora, Marcos Schroeder, mostrou o tamanho do problema. Foi apresentado à Anatel um plano de capitalização envolvendo investimentos de R$ 8 bilhões, mas os acionistas só querem entrar com R$ 2 bi; o restante viria de algum investidor ainda não encontrado. Enquanto isso, prossegue na Justiça a recuperação judicial da Oi, e acreditem: há um movimento no Congresso visando ajudar a empresa com dinheiro público.

A esta altura, é quase impossível calcular quanto dinheiro do contribuinte já foi jogado na Oi, entre BNDES, Banco do Brasil, Caixa e fundos de pensão, desde 2007, quando o ex-presidente Lula decidiu fazer dela uma “campeã”. Bancos, ex-funcionários e a já citada Anatel estão entre os credores listados no processo judicial, que até hoje não viram a cor do dinheiro. Lula, pelo menos, ganhou uma antena da Oi naquele sítio de seu amigo em Atibaia. 

Apple quer fazer seus próprios displays

O site coreano Digitimes revelou dias atrás o que pode ser um grande furo: a Apple estaria montando sua própria fábrica de displays, em Taiwan. A empresa encomendou os primeiros equipamentos de produção à coreana Sunic System, especialista no processo de vaporização chamado CVD (Chemical Vapor Deposition), utilizado na fabricação dos painéis orgânicos OLED. A estratégia seria diminuir a atual dependência de fornecedores como Samsung (no caso do iPad) e LG (Apple Watch), que na prática são concorrentes da Apple. 

Outro site asiático, o Taipei Times, informa que a Apple está ampliando a produção própria de painéis Micro-LED na localidade de Taoyuan, também em Taiwan, onde comprou, em 2014, a empresa LuxVue. Essa é uma tecnologia alternativa ao OLED, e bem mais barata. 

A volta de Amos Genish, via TIM

Até hoje não foi bem explicada a saída de Amos Genish do comando da Vivo, no final do ano passado, que até comentamos aqui. Fundador da GVT, negócio que transformou em bilhões, Genish vendeu a empresa ao grupo francês Vivendi, que a repassou à espanhola Telefônica, e esta foi buscá-lo a peso de ouro depois, quando decidiu unificar as duas marcas (Vivo e GVT) no Brasil. Tudo isso em dois anos! As explicações formais (“busca de novos desafios” e platitudes similares) não foram bem digeridas pelo mercado.

Pois agora Amos Genish está de volta, liderando uma nova fase da TIM. Foi chamado pelo mesmo grupo Vivendi, que acaba de assumir o controle da Telecom Italia. Tem o cargo de diretor-geral da empresa italiana, mas seu conhecimento do mercado brasileiro será muito útil. Há meses a TIM negocia para comprar a Oi, solução que seria um alívio para os credores da ex-super tele – a dificuldade é assumir uma dívida monstruosa, já de quase R$ 64 bilhões; seria ótimo também para o governo brasileiro, que ainda corre o risco de herdar esse típico abacaxi petista.

Outra especulação recente refere-se à Sky, que pertence ao grupo DirecTV, adquirido em 2015 pela AT&T, por sua vez candidata também a dona da Time Warner. Para a fusão ser confirmada no Brasil, a AT&T terá que se desfazer da Sky (detalhes aqui), o que abre a brecha para possível acordo com a TIM. 

Vale lembrar que, dos grandes grupos de telecom atuando no Brasil (os outros dois sendo Telefônica/Vivo e NET/Claro), o italiano é o único que ainda não atua no segmento TV, exatamente a especialidade da Sky, reforçada por sua nova estrutura de satélite. Os próximos meses dirão.

TV paga busca novos horizontes

Na mesma semana em que foi, finalmente, anunciado o acordo entre as emissoras de TV abertas e a operadora Vivo para recolocar o sinal de Record, SBT e Rede TV nas casas dos assinantes (vejam os detalhes), saiu o levantamento da Anatel relativo ao mês de maio: o número de domicílios com TV por assinatura diminuiu mais um pouco (1,39%), chegando a 18,64 milhões de assinantes. Considerando que em 2014 eram 19,6 milhões de famílias pagando pelo serviço, temos uma queda de 5,1% no setor, no maior país da América Latina.

O principal motivo, sem dúvida, é a crise econômica, que tem feito muita gente cancelar suas assinaturas. Problema bem brasileiro. Mas há uma transformação tecnológica (e de comportamento) que é mundial, como mostra recente pesquisa da Nagra, empresa suíça que fornece equipamentos e software para operadoras e programadoras. Entrevistando executivos do setor, os pesquisadores constataram que nada menos do que 84% deles consideram os provedores de conteúdo (Amazon, Netflix, Google etc.) seus “principais inimigos” – 54% deles citam também a pirataria de sinal.

As saídas vislumbradas por eles seriam basicamente três:

*Oferecer aos assinantes serviços inovadores, como realidade virtual e vídeo em 360o;

*Agregar mais conteúdos a suas plataformas móveis;

*Buscar parcerias com os tais “inimigos”.

Certamente, alguns leitores incluiriam na lista o item “baixar os preços”, mas é bom já ir avisando que essa alternativa está fora de questão. E a razão é simples: a conta não fecha. Pay-TV é uma brincadeira que custa caro. Não à toa, é um setor cada vez mais concentrado, com domínio dos grandes conglomerados de mídia, e estes precisam remunerar seus acionistas. Nunca é demais lembrar a velha máxima do capitalismo: não existe almoço grátis. Mesmo (ou principalmente) em tempos de crise.

Tentando reinventar a política

Num cenário de terra arrasada, como é a atual política brasileira, abrem-se várias portas para aventureiros. Vale lembrar o que aconteceu nos anos 1980, a chamada “década perdida”: a situação social e econômica era tão caótica, com a inflação rondando os 80% ao mês (e você não leu errado: 80%!!!), que a primeira eleição presidencial pós-ditadura, em 1989, expeliu da cena figuras tradicionais – Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mario Covas – e levou ao segundo turno dois novatos: Fernando Collor e Lula. O que sobreveio é História.

Hoje, não temos mais aquela inflação, mas o desemprego – que na época não era quantificado – e a falência de empresas provocam caos parecido com o de 30 anos atrás. E quase todos os políticos estão desmoralizados. Para quem não se conforma com essa realidade, e teme pelo pior em 2018, é indispensável repensar seus conceitos sobre como escolher os candidatos. Valho-me aqui de um interessante artigo do consultor Rodrigo Tavares, publicado semanas atrás na revista Época, sob o título “A Reinvenção da Política”. 

Tavares acha que as coisas só mudarão no Brasil se houver mais engajamento das pessoas, reduzindo a distância que hoje separa os políticos dos eleitores. Estes têm que ser mais responsáveis ao votar, e isso obriga todos a se informar melhor antes das eleições, para depois cobrar dos eleitos aquilo que foi dito em campanha. Temos o hábito de votar como “obrigação”, na crença de que nada vai mudar. Mas, como diz o consultor, a tecnologia hoje propicia novas formas de participação política – e não estou falando apenas de posts no Facebook ou no Twitter.

Infelizmente, talvez, os partidos políticos continuam sendo a única forma de organizar essas ações num regime democrático. Sim, eles nos roubam o tempo todo, mas há, por exemplo, um projeto de lei para acabar com o Fundo Partidário, que é o que os sustenta (detalhes aqui). O artigo de Tavares descreve algumas das medidas que deveríamos apoiar, e que transcrevo abaixo, para controlar mais de perto os atos dos políticos e dos governantes:

“Por que não usar a tecnologia em nome da causa pública? Cidadãos terão acesso imediato à informação isenta e rigorosa, diminuindo o papel intermediador da mídia, e poderão participar diretamente na tomada de decisões, diminuindo o papel de partidos políticos.

“A tecnologia conhecida como civic tech (tecnologia cívica) transformará eleitores em cidadãos engajados. São plataformas e aplicativos voltados para a transparência e a prestação de contas dos governos, o combate à corrupção e o acesso dos cidadãos à atividade política e a serviços públicos de qualidade.

“Na Islândia, após a crise de 2008-2009, o governo criou uma ferramenta gratuita pela qual todas as pessoas podem, por meio de um aplicativo no celular, propor e discutir políticas. As propostas mais apoiadas pela população são avaliadas pela administração, que mantém os cidadãos informados sobre os resultados do processo. Centenas de iniciativas populares já foram implementadas.

“Hoje, a maioria das pessoas gosta de se diferenciar por raças, religiões, nacionalidades ou outros interesses. Mas a tecnologia ajuda a perfurar essas muralhas psicológicas e a encontrar pontos em comum. Seres humanos têm medo da diferença. Máquinas, não. Em Taiwan, a plataforma pol.is – que tem projetos em cerca de dez países – recebeu crédito por ter ajudado na resolução de um conflito entre estudantes e o governo nacional em 2014.

“No final de 2016, começaram a ser organizados encontros no Vale do Silício, na Califórnia, liderados por empreendedores seriais, sobre a criação de um novo tipo de partido político, fundado em redes sociais, Big Data e machine learning.

Utopia? Pode ser. Mas vale sempre lembrar a frase do grande escritor inglês Arnold Toynbee: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados por aqueles que se interessam”.

TV do futuro começa aqui

Várias entidades se uniram em torno do “Projeto UHD”, que propõe uma coordenação para implantação no Brasil do novo padrão de televisão digital. Trata-se de uma tentativa de revitalização do Fórum UHD, criado no início do ano, que agora muda de nome.

Na primeira reunião do grupo, realizada semana passada em São Paulo, a presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), Liliana Nakonechnyj, anunciou a composição dos cinco comitês encarregados da primeira etapa dos trabalhos: “Hábitos de Consumo, Negócios e Visão Sistêmica”, “Qualidade de Imagem e Som”, “Distribuição e Harmonização”, “Segurança” e “Comunicação e Marketing”. “Estamos fazendo um esforço em benefício da cadeia audiovisual”, disse Liliana. “Este grupo é para termos uma visão ampla do mercado tecnológico, que irá ajudar os negócios. Não serão trazidas para cá nenhuma particularidade de entidades, pois não existe um ‘dono’ do grupo. Estamos aqui para proporcionar a harmonização do setor no Brasil, em benefício de todos os envolvidos”.

Foi uma chamada clara à união dos setores envolvidos com a indústria de televisão e que nem sempre atuam em sintonia (sem trocadilho). Fazem parte do Projeto UHD, além da SET, a ABERT e a ABRATEL, que representam as emissoras abertas; ABTA (TV por Assinatura); ABINEE e ELETROS (fabricantes de equipamentos); e a BRAVI, que reúne grande parte das produtoras de TV e vídeo. Pelo cronograma definido, cada comitê será encarregado de  analisar a implantação do padrão UHD – que não tem data para ocorrer – dos pontos de vista técnico, que o grupo chama de “definição do estado da arte”; e de “equalização do conhecimento”, expressão usada para identificar o que muitos consideram mais importante em todo o processo: fazer com que toda a cadeia envolvida entenda bem o que significa essa mudança, antes que seja levada até o consumidor.

Como já comentamos algumas vezes, Ultra HD (o popular “4K”) é uma evolução natural do padrão de transmissão que está sendo massificado agora no Brasil, o chamado Full HD. Representa um aumento de quatro vezes na resolução da imagem, expressa em pixels: dos atuais 1.920 x 1.080 para 3.840 x 2.160. Nos fóruns internacionais, no entanto, a abrangência da sigla UHD vai muito além da resolução; aplica-se também ao padrão 8K, atualmente sendo testado, que dobra mais uma vez a quantidade de pixels: 7.680 x 4.320.

Ao contrário da revolução anterior, quando se passou do SD para o HD, o novo padrão é totalmente digital e se baseia na combinação entre os recursos puros de áudio e vídeo e os de computação. A transmissão de sinal agora tem de ser analisada não apenas em vista do espectro (pelo ar), mas explorando todas as possibilidades que a internet proporciona. Processamento do sinal, métodos de compressão, armazenamento, integração das mídias, interatividade, tudo isso terá de fazer parte, de alguma forma, das novas especificações.

Os japoneses pretendem estrear com UHD na Olimpíada de 2020, que será realizada lá. No Brasil, que agora realiza a sua transição da TV analógica para a digital, as apostas mais otimistas indicam o final da próxima década.

Harman/Samsung compra a inglesa Arcam

Para quem suspeitava que, ao ser adquirida pela Samsung, a Harman tiraria o pé do segmento high-end, uma surpresa: nesta segunda-feira, o grupo americano anunciou a aquisição da inglesa Arcam, fabricante de players, receivers, amplificadores e sistemas de áudio digital. A marca passa a fazer parte do portifólio Harman Lifestyle Audio, que já tem Revel, Mark Levinson e toda a linha automotiva do grupo. 

A incorporação pela Samsung, no ano passado, confundiu muita gente porque pensava-se que os coreanos – que pagaram US$ 8 bilhões – partiriam para uma ‘popularização’, que nunca é bem-vinda pelos fãs do áudio high-end. Aos poucos, foram surgindo mais informações sobre o negócio. Revelou-se que a Samsung queria mesmo o domínio sobre as mais de 6 mil patentes que a Harman detém, além de seu centro de desenvolvimento no Vale do Silício, voltado a Internet das Coisas, e sua divisão de áudio profissional, provavelmente a mais avançada da atualidade. São ao todo 27 mil funcionários, dos quais mais de 5 mil engenheiros! E ainda há vagas – vejam aqui

Igrejas, partidos, sindicatos e privilégios

Corre há dias na internet: no Brasil de hoje, quem deseja ganhar dinheiro deve criar uma igreja, montar um sindicato ou fundar um partido político. Conta-se como piada, mas caberia bem na definição do impagável José Simão: piada pronta, típica da mistura de oportunismo, impunidade e ignorância que domina o país.

As três instituições – igreja, sindicato, partido – se equivalem num privilégio: não pagam impostos. Sempre contaram com a benevolência geral, sendo que, na aberração brasileira, sindicalistas e políticos ainda recebem dinheiro público. Significa que a sociedade paga para alguém representá-la e lutar por suas causas. No mínimo, o retorno que recebe é duvidoso. 

Esta semana, caiu o Imposto Sindical, herança dos tempos do Estado Novo (anos 1930) pela qual 1% do salário de cada trabalhador é recolhido – a palavra correta talvez fosse “confiscado”, já que ao assalariado não é dada alternativa – para distribuição entre os sindicatos. Ainda teremos de ver como se dará na prática essa importante alteração na lei, mas é fato que, além do Imposto Sindical, essas entidades conseguiram ao longo da história, graças a seus lobbies, uma série de privilégios fixados em lei.

Importante aqui registrar que sindicatos não existem apenas para representar grupos de trabalhadores. Muitos congregam empresas, ou entidades de empresas, que os sustentam à custa de arranjos políticos nem sempre transparentes. O caso mais estridente é o do chamado Sistema S (SESI, SENAI, SENAC etc.), financiado por uma taxação obrigatória sobre as empresas (nunca lhes é perguntado se desejam continuar pagando).

Já os partidos se mantêm basicamente com os recursos do Fundo Partidário, criado em 1995 (governo FHC) e que só em 2017 está lhes dando cerca de R$ 800 milhões; deverá ser muito mais em 2018, ano eleições – e, de novo, a população estará pagando. Todos os partidos registrados no Superior Tribunal Eleitoral recebem, proporcionalmente ao número de votos obtidos a cada eleição. Até anos atrás, existia a chamada “cláusula de barreira”: somente os partidos que atingiam 5% dos votos mantinham o registro. Em 2005, o Supremo Tribunal Federal decidiu acabar com esse limite, abrindo a possibilidade para o surgimento de mais partidos. Hoje, são 35 registrados. O argumento usado na época foi que isso era importante para preservar os pequenos partidos, ainda que estes não tenham (ou tenham poucos) eleitores.

Quanto às igrejas, é difícil tocar no assunto sem esbarrar em valores como fé e religiosidade, que são comumente explorados pelos que se intitulam “donos” dos templos. Na prática, qualquer pessoa pode tomar essa iniciativa; existem até sites especializados em orientar a abertura de uma igreja ou local de culto, de qualquer religião. E, ao contrário de um partido político ou sindicato, uma pessoa pode frequentar a igreja de sua escolha sem ser obrigado a pagar. Porém, não é isso que acontece, e denúncias de irregularidades surgem a toda hora. 

Sabe-se que esses locais são isentos de Imposto de Renda e IOF, embora alguns movimentem milhões em dinheiro vivo. Também não têm, como qualquer empresa comum, de pagar IPTU ou ISS. Suas multas são perdoadas por prefeitos de olho nos votos dos fiéis. Nos últimos anos, o “negócio” religioso prosperou expressivamente, com centenas de estabelecimentos espalhados pelo país, alguns deles organizados em forma de redes. Sinal de que o abuso compensa!

Enfim, aí temos três das principais distorções que fazem o Brasil caminhar para trás. Se a sociedade quiser mesmo corrigi-las, é bom começar a pensar nisso agora para, quem sabe, mudar alguma coisa a partir das eleições de 2018.

A lista das empresas mais “smart”

Saiu a nova edição das 50 Smartest Companies, a lista das empresas mais inovadoras do mundo, divulgada anualmente pelo MIT Technology Review, o site do Massachussetts Institute of Technology. É o mais respeitado estudo que se conhece sobre inovação (e, portanto, tecnologia), com números e análises detalhadas para justificar a posição de cada empresa no ranking.

Do setor eletrônico de consumo, temos na lista nomes mais do que conhecidos, como Intel (13o lugar), Apple (17o), Microsoft (27o), Foxconn (33o) e IBM (39o), além das onipresentes Amazon (3o), Google (5o), Facebook (23o) e Tesla (31o). Em primeiro lugar está a Nvidia, que começou fazendo chips para games e hoje avança nos segmentos de inteligência artificial e carros conectados.

Mas a maior revelação é que, das 50 empresas listadas, nada menos do que 10 vêm do setor de saúde: genética, biotecnologia ou medicamentos. A californiana Kite Pharma, por exemplo, nem estava na lista do ano passado e já aparece em 7o lugar. É uma das mais inovadoras em imunoterapia e combate ao câncer. A 23andMe, não por acaso também da Califórnia e dedicada à biotecnologia, era 7a em 2016 e agora salta para o 4o lugar, muito graças aos seus testes de DNA e estudos sobre fertilidade, depressão, Parkinson e Alzheimer.

Como se vê, tecnologia não é só consumo. Há uma revolução acontecendo no mundo da ciência, e é bom ficar atento. Todos nós vamos precisar disso algum dia. 

Diretas já, em 2018!!!

Temos eleições daqui a 15 meses e a maioria da população está farta dos políticos. Só que, sem eles, nada feito. Pela enésima vez, teremos que escolher os menos piores, num cenário cada vez mais tenebroso. Como confiar em pessoas que vivem da mentira, jamais assumem seus erros, encontram-se com bandidos furtivamente nas madrugadas e são capazes de acusar até os mortos?

Bem, ouço dizer que não haverá eleição porque “as elites não deixarão que Lula volte”. Em geral, são as mesmas pessoas que culpam “a Globo” por todos os males do país. É um pensamento típico de quem não entende o mundo atual. Ou finge não entender, o que dá na mesma. Depois de tudo que vimos nos últimos anos, propor que sejam retomadas aquelas mesmas políticas que levaram à maior crise da história é de uma atroz insanidade.

Sim, teremos que votar em 2018. E quem preza a liberdade e a democracia não vai poder fugir. Será escolhido um novo Presidente (e atenção: também seu vice, que fará parte da mesma chapa, ou seja, o mesmo grupo político), além de governadores, senadores e deputados. E, num país com quase 40 partidos,  ninguém poderá reclamar de falta de opções. As pesquisas atuais, que indicam um segundo turno com Lula vs Bolsonaro, não passam de retratos do momento, como são todas as pesquisas.

O que parece claro é que os principais partidos (PMDB, PT e PSDB) estão caindo de podres. Embora tenham vencido amplamente as eleições municipais de 2016, os tucanos dificilmente repetirão o feito após se unirem a Temer e serem pegos na mesma Lava Jato que derrubou o PT. Teriam que encontrar uma “cara nova”. Mas sua maior promessa é Dória, odiado dentro do próprio partido.

Cabe então procurar alternativas. O senador paranaense Álvaro Dias foi lançado pelo Podemos, versão modernizada do PTN, historicamente um partido de centro-direita que acabou caindo nas mãos de Collor e agora busca limpar sua imagem. Traz celebridades como Romário e bate na tecla do combate à corrupção, que certamente será um dos temas centrais da próxima campanha. Mas o grupo não apresenta mais do que isso, pelo menos até agora.

Há também um “Partido Novo”, formado por empresários que dizem não precisar do fundo partidário nem do tempo na TV. Prometem fazer uma campanha totalmente digital. Será interessante conferir se as redes sociais já são suficientemente fortes para substituir as tradicionais máquinas partidárias. 

À esquerda, até agora tudo costumava convergir para o PT. Mas é duvidoso se partidos como PSB e PPS continuarão em sua rota de conveniência, em troca de alguns cargos? PDT, de Ciro Gomes, PSOL e os partidos comunistas às vezes fazem barulho, mas eleitoralmente são inexpressivos. E temos a eterna interrogação chamada Rede, de Marina Silva.  Aliás, por onde anda Marina?

Fato é que não há tempo a perder. Os 14 milhões de desempregados têm urgência, assim como os milhares de empresários quebrados. Procuram-se candidatos com ideias exequíveis e a máxima transparência. Links aqui, por favor. Em tempo: ficha limpa é apenas uma condição, necessária porém não suficiente.

TV pela internet veio para ficar

Coincidência ou não, comentamos anteontem sobre os desdobramentos da fusão entre AT&T e Time Warner no Brasil (que ainda precisa ser aprovada pelo Cade e pela Anatel), e eis que hoje o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, aparece em entrevista à Folha de São Paulo anunciando os planos da operadora, que pertence à AT&T. Com as dúvidas sobre a fusão, nem mesmo se sabe se a Sky continuará existindo na forma atual; a AT&T talvez seja obrigada a revendê-la e, dependendo de quem seja o comprador, os tais planos podem virar pó.

De qualquer modo, o caminho geral parece traçado, não só para a Sky mas para todos os grupos de mídia: TV pela internet. Baptista anunciou que em 2018 a empresa lança no Brasil o DirecTV Now, serviço de streaming baseado em conteúdos dos canais lineares, ou seja, o assinante poderá ver seus canais preferidos (de filmes, esportes etc.) através de uma conexão de banda larga. Nem será necessário um decoder específico.

Será o custo mensal equivalente ao de uma Netflix? E será a conexão que temos hoje em casa suficiente para esse tráfego todo? São perguntas que só o tempo responderá. Mas, entre os especialistas, ninguém mais tem dúvidas. Pesquisa recente da consultoria Parks Associates mostrou que mais de 60% dos americanos já assinam pelo menos um serviço de streaming (claro, com Netflix em primeiro lugar). São pessoas que assistem menos a TV tradicional, ainda que continuem usando um TV comum.

Por lá, grupos como Fox, Disney e Time Warner estão se voltando para a internet como forma de compensar as perdas com os chamados cord-cutters, aqueles que tinham assinatura e cancelaram. Por aqui, o melhor exemplo vem da Globo: segundo o site especializado Mobile Time, que entrevistou 1.904 brasileiros que têm smartphone, o serviço Globo Play é um dos que mais crescem, inclusive na modalidade paga. Ainda é um formato deficiente, lento na navegação, mas com certeza será aperfeiçoado com o tempo; e o leque de conteúdos que oferece é quase imbatível (aqui, mais detalhes sobre os planos da Globo).

TV: novos conceitos de instalação

Na semana passada, começaram a chegar às lojas os TVs QLED, da Samsung. Como já comentamos aqui, a sigla tem alto potencial de confundir o consumidor, já que a LG aposta alto na tecnologia OLED. A diferença será de apenas uma letra?

Na edição de julho da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, estamos analisando os avanços dos TVs orgânicos, enquanto aguardamos um deles para teste (a Sony também está lançando, aliás com painel fornecido pela própria LG). Esta semana, recebemos da Samsung um QLED de 65″ para analisar em nossa sala de testes. Depois dessas avaliações, será possível explicar qual deles tem melhor desempenho.

Mas um detalhe que chama a atenção nessa linha QLED está nas possibilidades de instalação. Esses TVs têm painel curvo, mas que não necessariamente precisa ser montado sobre um móvel. Para quem quiser o TV na parede, há um suporte opcional – integrado à traseira do aparelho – que a Samsung chama de “No Gap”; a ideia é que com um movimento simples o próprio usuário consiga encostar o TV na parede, como se faz com um quadro.

Para montagem convencional, os TVs têm duas opções de base metálica; uma delas permite giro horizontal de até 35 graus. E a base embute um cabo óptico, quase invisível (foto), que liga o TV ao módulo One Connect, onde se concentram as conexões dos outros aparelhos na sala. 

Para essa linha de TVs, a Samsung criou também o Concierge, um sistema de atendimento 24 horas exclusivo para quem comprar um QLED. 

Time Warner e Sky, agora nas mãos do Cade

Os bastidores do mercado de mídia, que se agitaram nas últimas semanas com a disputa entre emissoras e operadoras de TV paga (detalhes aqui), ganham novo clima de suspense com a evolução do caso Time Warner Sky/AT&T. Pessoas que acompanham o assunto de perto revelam que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) está sofrendo pressão de todos os lados para vetar definitivamente a fusão – ou, pelo menos, neutralizar seus efeitos para o mercado brasileiro.

A questão é complexa em quase todos os países onde essas marcas existem. Em 2016, a AT&T – segunda maior operadora telefônica do mundo – fechou a compra da Time Warner, líder na produção e distribuição de conteúdo. Basta dizer que, segundo o The New York Times, após oito meses de discussão, e com um exército de advogados negociando, a fusão continua “no limbo”. 

No Brasil, a TW opera através de três marcas: Turner, Warner e HBO; já a AT&T havia assumido em 2015 o controle da DirecTV, que vem a ser dona da Sky (TV paga via satélite). Só que a chamada “Lei do SeAC” proíbe que uma operadora tenha mais do que 30% de participação numa emissora, produtora ou programadora com sede no Brasil.

Em nota técnica na semana passada, a superintendência do Cade pede que o caso seja declarado “complexo”, o que, no jargão do setor, significa um quase veto à fusão. Na verdade, a decisão final cabe aos membros do Conselho, composto por seis especialistas em concorrência, que não tem prazo para se manifestar. Mas a orientação da superintendência (um titular e dois adjuntos) raramente deixa de ser seguida. O que se comenta no mercado é que os conselheiros vêm sofrendo assédio mais forte nas últimas semanas, principalmente depois que a Anatel lavou as mãos e decidiu não decidir: só irá se pronunciar após a palavra final do Cade.

Anatel e Ancine, porém, já deixaram claro que consideram perigoso deixar que a AT&T avance em seus negócios no Brasil mantendo o controle “vertical” sobre três das principais fornecedoras de conteúdo. E a Abert, que representa boa parte das emissoras (seu presidente, Paulo Tonet, é vice da Globo), defende a mesma posição. Ou seja, é zero a chance do Cade autorizar a fusão. O que todo mundo deseja, a esta altura, é que sua decisão final saia rápido, acabando enfim com esse suspense.

Comando de voz chama até a polícia

O caso foi reportado por uma delegacia de Albuquerque, no estado do Novo México (EUA), e após publicação no site da rede ABC espalhou-se rapidamente, como é comum hoje em dia. Um dispositivo do tipo Google Home, com comando de voz, acionou a polícia local pelo famoso fone de emergência 911, após uma briga de casal. Eduardo Barros, morador da minúscula cidade de Tijeras, a 15km dali, estava ameaçando sua namorada e a filha dela com um revólver, e aos gritos; sem que ele percebesse, o aparelho captou quando Barros perguntou: Did you call the sheriffs? (“você chamou os tiras”?) Em poucos minutos, lá estavam dois policiais e até uma equipe da SWAT especializada em sequestros. Após horas de negociação, o agressor foi preso, a moça teve ferimentos leves e sua filha felizmente saiu ilesa. 

Segundo o delegado-chefe, Manuel Gonzalez (a região fica bem próxima da fronteira mexicana), foi o dispositivo smart que evitou uma tragédia. 

Em tempo: o site ABC News não conseguiu apurar se era mesmo um Google Home, Amazon Echo ou outra marca. Mas tinha, com certeza, comando de voz. 

“Casa sem fio” já vem pronta

Que tal comprar uma casa ou apartamento que já vem pronto para conectar tudo que você quiser? E sem fio? Essa ideia aparentemente avançada está causando polêmica nos EUA. Surgiu da Lennar, segunda maior construtora de condomínios do país, que começou a fazer publicidade usando o selo “Wi-Fi Certified Home Design”, de comum acordo com a Wi-Fi Alliance, consórcio de empresas que promove as soluções sem fio.

Seria o sonho de toda pessoa que constrói uma casa: dispensar todos os cabos e conectar seus aparelhos instantaneamente, com um ou dois cliques no celular ou, vá lá, num desses controles remotos ‘smart’. Basicamente, essa Lennar propõe que toda a infraestrutura (roteadores, sensores, pontos de acesso, transmissores de RF etc.) seja pré-instalada, como hoje se faz com as redes elétrica, hidráulica e de gás. Você teria uma “planta Wi-Fi” de sua casa, com a posição correta de todos os dispositivos de conexão, e jamais precisaria se preocupar com isso.

Sim, parece bom demais para ser verdade, dizem especialistas ouvidos pelo site CE Pro. “Se a moda pega, os construtores nem vão se preocupar mais em usar cabos nas suas obras”, ironizou Walt Zerbe, diretor da CEDIA, entidade que representa os integradores americanos. Seu argumento, mais do que lógico, é de que as transmissões sem fio – sendo Wi-Fi a mais usada e mais eficiente delas – funcionam muito bem para determinadas aplicações, mas falham em outras. Nessas redes, são comuns problemas como interferências de RF, sobrecarga de dados e aumento de ruídos provocados, por exemplos, por fornos de microondas. Sem falar no uso crescente de vídeo, que ainda não combina bem com Wi-Fi.

Em seu material promocional, a Lennar – que já tem até site em português, certamente de olho nos milhares de brasileiros que moram ou estão migrando para Flórida e adjacências – diz que as conexões Wi-Fi já são suficientemente robustas para evitar esses inconvenientes. A construtora trabalha em parceria com fornecedores de automação, áudio, iluminação etc., garantindo que tudo agora pode ser comandado numa arquitetura sem fio. Cabos de rede? Talvez uns dois ou três para a casa toda. “Quando precisar de mais velocidade, basta ao usuário trocar os AP (access points)”, explicou David Kaiserman, presidente da Lennar, ao CE Pro.

Alguém se arrisca?

Planos nacionais de enganação

Interessante levantamento do repórter Bruno do Amaral foi publicado há duas semanas no site Teletime, sobre o fim do controvertido PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Como sabem os que acompanham esse setor, o Plano foi encerrado no final de 2016, após seis anos de idas e vindas que o inviabilizaram. Está sendo substituído por um certo “PNC” (Plano Nacional de Conectividade), que na verdade é apenas mais do mesmo. O próprio presidente da Anatel, Juarez Quadros, admitiu recentemente que só haverá verba para isso, se houver, depois de 2019 (claro, tudo depende de quem será o próximo presidente da República).

O PNBL – que no governo Dilma foi rebatizado “Programa Banda Larga para Todos”, depois emendado num tal REPNBL, que seria um esquema de isenção de impostos para operadoras, ambos provas da infindável criatividade dos nossos políticos-marqueteiros – já foi comentado aqui neste blog inúmeras vezes, muitas delas causando polêmica (vejam este post). Foi intensamente usado como moeda de troca nos arranjos políticos, e também como isca de votos em campanhas eleitorais.

Como mostra o Teletime, baseado em dados da própria Anatel, a lista de irregularidades é tamanha que põe em descrédito qualquer nova tentativa do gênero. O resumo da ópera, antecipado por diversos especialistas já em 2010, quando o PNBL foi assinado, é que as regiões do país que tenham melhor potencial econômico acabam recebendo maior atenção, enquanto locais mais carentes continuam desatendidos, resultando naquilo que se apelidou de “banda estreita”.

Com os cortes orçamentários do governo Temer, trocou-se o que era uma política errática e capenga por “nenhuma política”, como se entende das regras definidas no ano passado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (detalhes aqui). Cujo site, aliás, teve a última atualização em 2012 e onde não há qualquer menção ao mau uso dos fundos setoriais de telecomunicação, que deveriam financiar esses investimentos.

As marcas preferidas dos integradores

Em seu tradicional levantamento sobre as marcas mais lembradas do segmento, divulgado sempre nesta época do ano, o site americano CE Pro revela as preferências das 100 principais empresas integradoras do país. Sony (citada por 88% dos entrevistados), Samsung (83%) e LG (58%) são as três primeiras da lista, o que indica uma inversão: no ano passado, a Samsung liderava com 79% das citações, ficando a Sony em segundo com 74%; no anterior, a disputa estava 93% a 64% em favor da coreana.

Não é surpresa, diante do esforço da Sony USA para conquistar o segmento especializado. A empresa japonesa, embora não fabrique mais seus próprios TVs, é de longe aquela que mais investe no relacionamento com os integradores, que – lá como aqui – são os grandes formadores de opinião. A pesquisa 2017 CE Pro 100 Brand Analysis é importante porque a maior parte das empresas entrevistadas é, na verdade, formada por redes de lojas e/ou integradoras espalhadas por várias regiões. É, portanto, uma amostragem muito abrangente.

A queixa mais comum entre essas empresas refere-se à queda nas margens de lucro provocada pelo aumento indiscriminado do comércio online. A maioria dos fabricantes viu nisso uma chance para aumentar seus volumes de vendas, sem atentar para o problema da rentabilidade de seus parceiros. O CE Pro, que é uma espécie de “órgão oficial” do segmento, vocaliza essas preocupações. “Na prática, é essa rentabilidade que interessa”, admitiu um deles, Dave Workman, cujo grupo ProSource possui nada menos do que 600 integradores filiados.

Workman é um dos que mais elogiam a Sony por manter uma rede de representantes em todo o país para dar suporte às revendas especializadas, algo que os demais fabricantes ignoram. Vale lembrar que, no mercado americano, funciona muito o conceito de buying group, em que pequenas empresas se unem para negociar com os fornecedores e, assim, conseguem boas vantagens. Em troca, o fabricante lhes garante o chamado SPPG (suggested profit picture guideline), algo como uma tabela sugerida de preços e descontos que devem ser praticados.

Em tempo: no Brasil, a Sony mantém algo parecido, embora sem o mesmo alcance, por ora restrito a seus TVs top de linha. O programa chama-se Be Sony e neste momento abrange 20 revendas, a maioria em São Paulo. Os interessados podem conferir neste link.

iPhone: dez anos que abalaram o mundo

Nesta quinta-feira 29, completam-se exatos dez anos do lançamento do iPhone, talvez o produto mais revolucionário da indústria eletrônica até hoje. Steve Jobs havia antecipado algo do gênero quatro anos antes, mas o impacto da notícia ainda deve estar na memória de muita gente. Lembro que estávamos num evento com especialistas em São Paulo, quando um dos palestrantes ligou seu laptop para exibir ao vivo a tradicional conferência da Apple. A imagem de Jobs acionando a telinha touch (acima) virou ícone da inovação. Os mais jovens talvez não saibam, mas todo celular até então possuía teclas. Jobs quebrou esse paradigma, como faria diversas vezes em sua vida, consolidando a era dos compartilhamentos em tempo real.

Num post de 2008, sob o título “O suspense acabou”, comentávamos sobre a estratégia de marketing da Apple no lançamento da segunda versão do aparelho (em 2007, ainda não tínhamos este blog). Agora, em meio às retrospectivas e comemorações, duas notícias se destacam. Uma, da própria Apple, anunciando para outubro o iPhone 8 (foto ao lado), no clima de “esquenta”. Os rumores são de que terá comunicação 5G, tela curva OLED (aliás, fornecida pela Samsung) com 5,8″ e – pela primeira vez – abolindo a famosa “tecla HOME”, tão copiada (neste link, alguns detalhes).

Alan Wolf, colunista do site Twice, foi quem melhor resumiu o sentimento de toda uma geração a respeito do produto: “Meu filho adolescente teve problema com seu iPhone 6S e percebi sua aflição. Fui com ele a uma assistência técnica e vi que estava mais desesperado do que seu eu próprio estivesse indo para o hospital… Para eles, é difícil imaginar um mundo em que não existia iPhone”.

O problema, lembra Wolf, é que hoje a Apple não está sozinha nesse mundo. Precisa enfrentar concorrentes como a chinesa Lenovo, que comemora outra data marcante: os 25 anos do ThinkPad, primeiro laptop de uso pessoal, lançado pela IBM em 1992. Desde que compraram a marca, em 2005, os chineses perseguem a meta de superar Apple, HP e demais gigantes com algo revolucionário. O “laptop do futuro” foi apresentado em Nova York ontem: chama-se Transform (acima) e deve chegar ao mercado internacional no fim do ano. Terá 5G, com gabinete dobrável, recursos de IoT, e será capaz de reproduzir imagens de realidade virtual. 

Ah! Sim, para os saudosistas, a Lenovo promete lançar também uma “edição de colecionador” do ThinkPad original. Alguém aí lembra como era?

Em tempo: agradeço o amigo Julio Cohen, agora um cidadão quase-americano, me manda o link para um vídeo que mostra em detalhes o que seria (será?) o iPhone 8. Para quem está curioso, está aqui.

SBT, Record e RedeTV agora valem centavos

Dois dos mais bem informados colunistas especializados no mercado de televisão revelaram nos últimos dias que está prestes a sair um acordo entre as operadoras de TV paga e as três emissoras que querem cobrar por seus conteúdos (Rede TV, Record e SBT). Daniel Castro informou na semana passada que a audiência das redes despencou quando o sinal deixou de ser liberado aos assinantes da NET/Claro, Sky e demais operadoras. Por isso, as emissoras sentiram-se “acuadas” e baixaram os valores em negociação. No domingo 25, Ricardo Feltrin – especialista nos bastidores da TV – contou sobre um documento em que as redes pedem que seus sinais sejam mantidos na praça de Goiás, onde seriam cortados a partir do último dia 22. 

O desfecho dessa novela vai se mostrando como previsto nos primeiros capítulos. Para quem não acompanhou, desde 29/03 – quando aconteceu o desligamento das transmissões analógicas no estado de São Paulo – as operadoras foram obrigadas a cortar os sinais daquelas três redes. Estas queriam cobrar algo em torno de R$ 15 para cada assinante; a NET/Claro, só para citar um exemplo, teria que lhes pagar mais de R$ 150 milhões. Com a recusa das operadoras (a Sky nem quis negociar…), começou um jogo de ameaças que prejudicou os telespectadores fãs dos três canais.

Menos de três meses depois, numa trama que envolveu até o governo Temer, parece que a disputa não valeu a pena: as emissoras já aceitam menos de R$ 1 (isso mesmo: centavos)!!! O acordo está próximo. Talvez assim essa novela acabe de vez.